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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Numa Fria (Thin Ice)

O filme se passa no meio do nada, no norte dos EUA, naquelas cidades geladas, onde todo mundo se conhece e ninguém tranca a porta de casa. Um corretor de seguros meio falcatrua chamado Mickey  se encontra em dificuldades financeiras. 
Através de um outro corretor, Mickey consegue um novo cliente: o fazendeiro aposentado Gorvy. O senhor de idade, já meio senil, estabelece um relacionamento estranho com o seu corretor, pedindo que o leve no banco, que arrume sua televisão, etc. Mickey já não tem paciência pra isso, e está prestes a despachar o velhote para outro corretor. Teria feito isso, se não fosse a descoberta de um violino raro no meio das tralhas do velho Gorvy. 
A partir daí, como é de se esperar, o corretor, que até então era apenas meio falcatrua, acaba se tornando um criminoso, e que por uma série de eventos mal planejados, se vê na companhia de outro criminoso, bem mais experiente e desequilibrado que ele.


Não é um filme daqueles imperdíveis, mas é totalmente recomendável. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

JEFF

Jeff, who lives at home é o nome do filme. Acho que ele não foi lançado no Brasil com um aposto, como nos EUA. Aqui ele é apenas Jeff.

Jeff(Jason Segel, o Marshal do How I met you mother) é um cara de 30 anos que ainda vive com a mãe, não trabalha, não tem namorada e não tem objetivos na vida. Ele parece estar esperando algum sinal para agir. Alguma força maior que o ponha em movimento. O filme é sobre isso. O dia que a vida do Jeff vai ter sentido.
Ao mesmo tempo, estão na história a mãe e o irmão, que são o oposto do Jeff, simplesmente por serem pessoas normais. Exteriormente. Tanto a mãe(Susan Sarandon) quanto o irmão(Ed Helms, que ficou mais famoso pelo personagem no "Se beber não case") estão na merda. Mas advinha? Os problemas deles não são tão diferentes assim dos do Jeff...


É um filme com momentos engraçados misturados com, na minha percepção, um drama muito raso. Não chega a emocionar e nem faz rir. Tem umas cenas interessantes, como por exemplo uma chamadinha rápida pra Telma e Louise.

Se tu é do tipo de pessoa que acredita em destino, sinais, e todo o resto de filosofia que vem junto com o estilo de vida, tenho certeza que vais gostar do filme. Não é pro meu gosto, não tenho tanta sensibilidade. Tem no Netflix.

terça-feira, 6 de maio de 2014

El Metodo

Um filme espanhol de 2005 chamado El Metodo.  A história é toda baseada em uma entrevista de emprego. O cenário é inteiro uma sala de reuniões. O número de personagens é 8. Parece que estou fazendo o contrário de convencer vocês a assistir o filme. Contudo, pensa: o que sobra quando o elenco, cenário e histórias paralelas são reduzidos a quase nada? O roteiro!
São 7 candidatos a uma vaga de executivo em um banco espanhol (acho que é um banco, não importa muito). Estão todos na sala aguardando a pessoa que irá conduzir essa entrevista em grupo. Não chega ninguém. Eles são especificamente obrigados a assinar um contrato assumindo que aceitam o método Gronholm de seleção - que ninguém sabe o que de fato é.
Os candidatos então são avisados que entre eles está o executivo do RH. Eles precisam descobrir quem ele é. A partir daí começam os jogos de seleção (alguns bastante típicos de RH) em que acabam por eliminar uns aos outros. Então, ao mesmo tempo que precisam descobrir quem é o executivo do RH, precisam permanecer na disputa. Genial ou maligno?

Já falamos aqui no blog sobre esse tipo de mistério (ver posts "E não sobrou nenhum - Family Guy", "Assassinato em Gosford Park" e "Os homens que não amavam as mulheres"). Não sei muito bem se tem um nome pra isso, mas estão todos os suspeitos num quarto, cabendo aos mesmos descobrir quem é de fato o assassino. Bem, nesse caso o assassino é o cara do RH.
Além disso, ao invés de simplesmente "matar" - nesse caso está mais para dispensar - os outros personagens, o infiltrado os força a participar de jogos. Jogos de eliminação. Me parece até um pouco com Jogos Mortais, mas só um pouquinho mais sutil. Bem pouco.

Os personagens e o cenário. Quem vocês acham que é o infiltrado?
É um roteiro cheio de argumentações em lógicas circulares, inversões na história e blefes duplos. Põe o tempo em cheque o certo e o errado, uma vez que seguindo um caminho, posso prejudicar meu concorrente. Mas seria isso o mais ético? Ao mesmo tempo, se eu não assim fizer, estarei baixando minha guarda? Se o meu concorrente estivesse na minha situação, o que ele faria? E o que será que a empresa espera de mim? Estou sendo agressivo demais? Ou não agressivo suficiente?
Participar dessas entrevistas de emprego não é nada fácil. Adicione a isso o cenário econômico espanhol da época - inclusive retratado no filme. Não está fácil pra ninguém. Espanha em crise. Desemprego elevado. Não tá fácil pra ninguém. E ai, o que tu faz?

Certamente se você já passou por uma, irá se identificar. Se nunca, assiste. É sensacional.



Se tu gostou, tem o filme inteiro AQUI legendado em portugês mesmo.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

7 psicopatas e um shi-tzu

É um meta filme divertido.
Do mesmo diretor de "in Bruges" ou "Na mira do chefe" e com o mesmo ator principal - Colin Farrell - a história trata de um roteirista alcoólatra e com bloqueio criativo. Começa a escrever um roteiro sobre psicopatas. Ele vai tirando inspiração principalmente do seu amigo muito louco Sam Rockwell (baita ator!!). O amigo tem alguma profissão que me não recordo, mas acho que a principal atividade é sequestrar cães com o amigo Christopher Walken!!! Eis que em certo momento roubam um shi tzu que pertence a um famoso gângster - Woody Harrelson. Esse sim um verdadeiro psicopata.


O filme, que é de 2012, tenta quebrar muitos dos clichês do cinema: a construção linear comum e didática, os diálogos cheios de frases vazias cheias de sofismo, o perfil do assassino frio e quase herói (ou o super bandido ruim até os ossos)... E tenta também contar muitas histórias ao mesmo tempo que escreve a sua própria. Sendo assim, acaba ficando um pouco raso. Os personagens não te cativam muito - embora sejam bem interpretados e carismáticos o suficiente - e a história fica tão aberta que não consegue te prender. Em nenhum momento tu fica sentado na ponta do sofá, esperando um desfecho. A maior tensão é saber se o cachorro vai morrer ou não.
Se passa em Los Angeles e arredores, tem um excelente elenco e é cheio de referências à cultura pop, cinema e tal.
Mesmo assim é um bom filme, divertido e inteligente. Vale a pena pelo humor negro e histórias originais.
Tem uma nota razoável no imdb, acho que tá até exagerado. "Na mira do chefe" é muito melhor!
Seven Psychopaths (2012) on IMDb


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Amantes Passageiros

Aparentemente as traduções bizarras de nomes não acontecem somente do ingles para o português. Amantes Passageiros nos Estados Unidos virou "I'm so Excited". O filme de 2013 do Almodóvar,
segundo algumas outras críticas que li, destoa do padrão dos seus últimos. Se trata de uma comédia cliche, desbocada e fanfarrona. E como de costume, muito sexual.


A história é a seguinte: um avião está prestes a decolar. Os funcionários do aeroporto estão envoltos em sua vida pessoal e cometem um pequeno erro, que acaba por afetar muitas outras pessoas além deles. O efeito dominó acontece muito mais psicologicamente do que materialmente, a medida que, pela possibilidade de acidente, os passageiros e tripulação começam a surtar.


A crítica mais interpretativa (aqui se inclui os críticos ao modo de viver atual e também ao, digamos, capitalismo) diz: aquele que apenas assiste uma comédia, não percebe a caricatura da podre sociedade que é esse filme. A tripulação é o governo, a classe econômica é o povo e a classe A - surpresa! - é a classe A. O povo dorme enquanto o governo irresponsável se preocupa em servir a classe A - perversa, decadente, amoral e criminosa - tudo isso enquanto o país (se pensar que o avião é a economia fica melhor ainda a metáfora) ruma a uma aterrissagem forçada, possivelmente fatal.
Como não sou desse pessoal que vê critica social até na propaganda da Casas Bahia, gosto de pensar que é uma comédia leve e desbocada.
Apesar da nota baixa no imdb e de eu não gostar dos filmes do Almodóvar, recomendo para momentos de lazer.
I'm So Excited! (2013) on IMDb

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Vigaristas

Vigaristas é um filme interessante. Trata, surpreendentemente, da vida de 2 trapaceiros e seus golpes.
Os personagens principais: Os irmãos Bloom (Adrian Brody e Mark Ruffalo) e sua parceira Bang Bang, uma japonesa cujo mistério só pode ser medido pelo seu silêncio, e Penelope (Rachel Weiss), que é a mulher que sofre o golpe - a definição de rica excêntrica.
Não é o poster original, mas achei bem melhor.
Basicamente os irmãos vivem de pequenos golpinhos, pequenas carraspanas, desde sempre. Como de costume, um dos irmãos é feliz e o outro triste, um realizado e o outro insatisfeito. Nesse caso, o triste é o eternamente desengonçado, narigudo depressivo Adrien Brody. Brody então faz um pacto com seu mano, que após o último embuste deixará essa vida e procurará a sua verdadeira identidade. Pois veja, o irmão mais velho é a mente brilhante e ardilosa dos golpes, que cria as histórias para que o mais novo (Brody) as viva como anti-herói. Logo, quem é ele, se não um acumulado de personagens? Ele não sabe. Somente não contava que a próxima vítima seria Penelope, a adorável milhonária excêntrica e solitária que, como ela fala, coleciona hobbies. Quer profissão melhor que essa?


O filme é interessante por ser um vigarista dentro de si mesmo. É uma comédia sem risadas e um drama sem lágrimas. Ao mesmo tempo, quando parece contar a história, está te enganando. Quando parece te enganar, está contando a história. Bem interessante mesmo.
Ok, dito isso, rapidamente falando sobre o estilo: lembra muito os filmes do Wes Anderson, mas sem tanta apatia (embora o A. Brody ajude bastante nesse quesito) e sem o Bill Murray. Os personagens são caricatos, as locações são muito legais, o figurino e fotografia também. Os diálogos são interessantes, a história é bem construída.

Se não é o retrato da depressão.
Certamente vale a pena assistir, não se deixe enganar pela nota do IMDB.
Está disponível no NETFLIX.

The Brothers Bloom (2008) on IMDb

terça-feira, 25 de junho de 2013

Hombre de Al Lado

Mais uma vez, os argentinos me comovem - não é a toa que eu acho Maradona dez vezes mais brilhante que Pelé. Não só eu, todos os sensatos. Mas vamos ao que interessa.
Le Corbusier foi um cultuado arquiteto/urbanista francês que, em viagem a Argentina, ajudou a erguer uma casa em La Plata, na província de Buenos Aires. É lá que se passa a história. Agora a ficção...
Filme de 2009, O Homem ao Lado começa com Leonardo, designer e chato, sendo acordado por ruídos de uma obra. Levantando a persiana, eis: uma janela sendo erguida com vista para sua casa. O mandante do "crime" é Victor, típico argentino malandro, que diz querer aproveitar os raios de sol que antes não lhe davam as caras. Aí começa o pesadelo do morador da residência de Corbusier.
O vizinho assusta, de início, pelo tipo rudo, e Leonardo, que vive com a esposa e a filha, tenta de todas as maneiras impedir a obra do homem. Todavia, sempre com precaução, o medo também começa a tomar conta da psiqué do chato... medo que se transforma em paranoia. Do meio do filme em diante (e pode ler mesmo não tendo visto), digamos que a trama mocinho-bandido vira e dá outra conotação ao enredo. Bem mais interessante, por sinal.
É uma bela obra, que, infelizmente, quase se restringe a um único cenário: casa e arredores. O jogo psicológico entre os dois homens é demasiado inteligente e faz pensar a respeito de preconceitos tolos. Vale a olhada, cabrón.





domingo, 3 de fevereiro de 2013

To Rome With Love

Filme do ano passado, Para Roma com Amor é por enquanto a última aventura de Woody Allen em cidades européias. Narrado por Alec Baldwin e ambientado obviamente na Cidade Eterna, tem não uma, mas várias historietas que se passam durante o desenrolar. Esse talvez tenha sido seu maior pecado.
Como a maioria dos filmes do Woody Allen - pelo menos os que vi - o início é sempre animador. No caso, e não poderia ser diferente, hilário - um policial tentando coordenar o trânsito caótico de Roma. Daí, se ramificam os pequenos contos: o do morador de Roma, o do casal do interior que vai morar na capital, o dos turistas americanos, etc. Diferente dos outros - e últimos - filmes que tem como cenário a Europa, nesse o diretor também atua. Faz o papel de pai de uma mocinha norte-americana que, encantada com a atmosfera romana, se junta com um galanteador de lá. Na verdade, o papel é de um mala (casado com uma psicanalista mui bem interpretada por Jude Davis) que, embriagado no americanismo, vive um cômico conflito com o genro, amante do sindicalismo e do idealismo comunista.
Não foi um filme muito bem recebido pela crítica especializada pelo que li, mas claro que tem seus pontos positivos: Roma, o próprio Woody, a típica família romana, as historietas que fazem rir, entre outros; mas peca, ao meu ver, em querer contar tanta coisa em um espaço de hora e meia, como de praxe. Não senti a capital italiana como, por exemplo, senti Paris em Meia-noite em Paris - não que Roma exale romantismo ou coraçõezinhos, mas o cineasta não conseguiu fazer da Fontana di Trevi a chuva da Cidade Luz, se é que me entendem. Soa como metáfora, mas fica tudo trânsito romano: confuso, caótico, embora inteligente (não o tráfego, o filme) e bem-humorado. Com a genialidade peculiar, Allen quase consegue, mas falta tempo.


sábado, 26 de janeiro de 2013

O Grande Lebowski

Jeff Bridges é Jeff Lebowski ou "The Dude" como ele mesmo prefere ser chamado, no filme O GRANDE LEBOWSKI, de 1998. Estava na minha lista há muito tempo, e mesmo se tratando de um clássico cult, resolvi encarar. Não gosto dessa classificação, acho muito metido a besta, tipo: "é um filme maravilhoso, mas não é para o público em geral"
O filme é um pouco de policial com comédia. Envolve um crime, um milionário, sua esposa interesseira, sua filha artista totalmente estereotipada, uma gangue de alemães niilistas e, claro, o Dude e seus amigos.
The Dude tomando um White Russian
Tudo começa com um mal entendido. O Dude está em casa e 2 caras entram pedindo dinheiro que sua esposa Bunny lhes deve. Acontece que o Dude não é casado e não conhece nenhuma Bunny. E muito menos tem algum dinheiro. Ele é uma espécie de mendigo rockstar, que passa o tempo a jogar boliche, fumar maconha e beber White Russian (clica pra aprender a fazer). Os ladrões não acreditam, obvio, quando ele diz que o estão confundindo com outro cara. Depois de alguns minutos se convencem e o deixam pra trás, não sem antes darem uma urinada no tapete da sala dele. E, acreditem, essa é a deixa pra começar a história.
O Dude então vai procurar o outro Jeff Lebowski, que é o milionário da esposa piranha, para ser ressarcido pelo estrago causado no seu tapete. Tapete que ele gostava muito. Assim ele entra em um círculo social que jamais entraria, não fosse a coincidência de ser xará do cara.
Alguns dias depois The Dude recebe uma ligação do outro Lebowski, a respeito do sequestro de sua esposa. A partir daí muita coisa acontece. Uma série de personagens totalmente loucos aparecem, cada um serve para confundir ainda mais a situação do sequestro. Quem sequestrou? Com quem está o dinheiro?
Mendigo cool
O Grande Lebowski ao mesmo tempo tem um pouco das histórias de mistério, tipo L.A. Noir e livros do Raymond Chandler, que nunca li, mas estão na lista. Lembrou muito os contos do Ed Mort: mistério e humor com personagens totalmente inesperados e bizarros.
Além da história, Jeff Bridges é um baita ator. Como o cara sai desse personagem para Bravura Indômita, não sei dizer. Ainda tem Steve Buschemi, Philip Seymor Hoffman, Juliane Moore e uma aparição do Flea, do Red Hot Chilli Peppers.
Atesto que, mesmo sendo um clássico do cult metido a besta, gostei muito do filme. Recomendo!

OBS: Não sei como é a popularidade do tal White Russian nos EUA, mas aqui no Brasil, se vir alguém pedindo um, pode ter certeza que é fã do Dude.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Un Cuento Chino

Baita filme. Já tinham me falado várias vezes da obra, mas vinha deixando passar. Só penso como não tinha antes olhado, visto a tamanha qualidade do espetáculo. Un Cuento Chino é de 2011, 11 é a hora pontual que Roberto (Ricardo Darin, o onipresente) apaga a luz e apaga. Dirigido por Sebastián Borensteinz, tem locações na Argentina e na Espanha.
O filme conta a história do encontro entre o já citado Roberto, um veterano das Malvinas que vende brocas e alicates, obsessivo-mor, e Jun, um chinês perdido em Buenos Aires, fugido da desgraça da morte da noiva no Oriente. Inicialmente, e quase lugar-comum entre comédias, acontece a tentativa do desencontro: o argentino, seco, áspero, só quer se livrar do carinha: embaixada, delegacia, la, la, la... Mesmo assim, já fica evidente de cara, que por trás da secura, há a ternura (guevarismo?), a gana platense; vide a cena sensacional da discussão com o policial.
 
 
 
É tri ver a vida do suburbano porteño virando de cabeça pra baixo com a chegada do China; pensando positivamente, y así lo és, o ranzinza acaba se concertando, ajeitando os parafusos. A mudança vivida por Roberto é bonita: o loco consegue deixar de ser um doente mergulhado nas obsessões e passa a construir uma história mais verdadeira, mais absoluta, mais dulce de leche (la cosa más rica del mundo).
Outro ponto fantástico da película são as historietas que se entremeiam durante o desenrolar. Num cenário mais fantástico, mais mágico, mais Cortázar, a vida é contada de um jeito suave, ameno, em que até as tragédias tornam-se fundamentais (no?) e também tem seu lado pastelão.
Como dito tinha, perdi muito tempo até ver Um conto chinês. O cinema argentino vem caminhando a passos largos e ele é mais uma prova disso. Não comete o mesmo erro que eu. Dá uma colherada no doce de leite e aprecia ambos.
 
 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

The Office (EUA)

Não é nenhum seriado novo, mas certamente é uma das comédias mais originais dos últimos tempos. Começou em 2005 e segue até hoje.
Se passa em um escritório pequeno, com pessoas totalmente normais, em uma cidade do interior sem nenhum apelo. É a versão americana de um seriado inglês, que ainda não assisti pra poder comparar. Uma empresa que vende papel em Scranton, Pennsylvania.
O humor é nonsense e imbecil ao mesmo tempo que é bem inteligente. Não é nada politizado e tem um pouco de referência de cultura pop, mas normalmente as histórias se desenvolvem dentro da trama dos personagens, que são realmente ricos e seguem uma linha fiel de comportamento. Os atores não são famosos (exceção do Michael), ou pelo menos não eram.
Vou me concentrar nos meus personagens preferidos:
Michael Scott
É o chefe. Em nenhum momento fica claro como chegou na posição onde está, porque é totalmente incompetente e desequilibrado. É muito carente e acha que os colegas de trabalho são sua familia, pois não tem filhos nem esposa. Por não ter vida, se envolve demais em questões pessoais de seus colegas, sempre passando do limite do que é socialmente aceitável. Ele é o rei das bolas fora e das piadas inadequadas. É meu preferido.
O ator que interpreta é o Steve Carell, que fez O Virgem de 40 Anos, que me agrada muito.
Dwight Schrute
É o melhor vendedor da empresa. Também o mais esquisito. Além de vendedor é um exímio homem do campo. Tem uma fazenda de beterrabas - tá sempre falando dela. É certamente o personagem mais estranho. Desconfio seriamente que o Sheldon do Big Bang Theory tenha sido um pouco inspirado nele. Pelo vídeo dá pra começar a ter uma noção

Pam e Jim
Pra quem não viu nada, já adianto: eles acabam se casando. Não interessa, o que importa é que esses são os mais normais do escritório, são os que tem melhor senso crítico de como viver em sociedade e não se perdem em devaneios absurdos, como Michael e Dwight. Quase nunca. Pelo menos não iniciam nenhuma aventura estúpida, mas certamente encorajam. Jim é o mestre das pegadinhas, tipo fazer uma gelatina e colocar as coisas do Dwight dentro.
Além desse tem o Creed, Ryan, Kevin e Toby. Cada um muito peculiar e engraçado a seu modo. Principalmente o Creed, velho completamente louco.
Um tempo atrás passava no FX na net, hoje em dia não sei dizer. Tem no Netflix da 1 até a sexta temporada. Amplamente recomendado pra quem gosta de comédia leves, sem piadas fortes, mas nem por isso leviano. É muito bem escrito, de modo que as piadas racistas e as colocações auto depreciativas do Michael sempre saem de maneira natural, nada forçado. Ok, não é nenhum Seinfeld no que diz respeito a perfeição do script, mas certamente muito bom.
 IMDB: The Office (2005– ) on IMDb

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

500 Days of Summer

Aproveitando a deixa do Pablo sobre Gordon-Levitt, comédias e a própria citação sobre o filme desse comentário, falarei sobre a melhor comédia-romântica americana. Sim, encontrei uma boa. Talvez por não ser "uma estória de amor", como o narrador já coloca logo de cara, talvez pelos atores, ou talvez e simplesmente pela trilha sonora. Sim, só Smiths já vale a olhada.
500 dias com ela é um filme de 2009, dirigido pelo quase desconhecido Mark Webb e estrelado pelo mocinho já citado e por Zooey Deschanel. Fala sobre um cara de belíssimo gosto musical, e, obviamente, dos 500 dias de sua relação com Summer (uma das outras garotas que se relaciona com o rapaz durante o desenrolar se chama Autumn - que brilho de quem escreveu!). Tom é um apaixonado de marca-maior e, como todo, vira um retardado - o que é muito bem explorado - o retardo. Tem outros dois amigos (de trago), que, como ele, são ambos retardados e não menos engraçados.
A qualidade do filme se dá exatamente por se tratar de uma "comédia romântica" diferente, que se afasta do clichezão viveram feliz para sempre, e mostra o pé na bunda sem ser piegas. A obra também tem tiradas muito boas, a referência a filmes cults, como o O Sétimo Selo, e a cena da tela dividida em dois (sensacional!) que já vale o ingresso. Tirou um 7,9 no IMDB bem merecido. Não sei porque o Pablo não gostou, talvez por ser outro retardado ou por simplesmente não saber nada de cinema.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

50/50

Recentemente assisti esse filme de 2011.
Nem sempre gosto de filmes com o Seth Rogen, mas gosto da maior parte. O mesmo serve para os com o Joseph Gordon-Levitt. Na verdade mais pelo 500 days of summer, que particularmente achei um saco. Se salva por A Origem e o último Batman. Muito mais positivos que negativos. Ele normalmente é o coadjuvante tímido, personagem interessante mas sem muito carisma.
Acho que o Seth Rogen faz o mesmo papel sempre: vagabundo que acaba se dando bem. Sempre pega uma mulher que nunca pegaria na vida real, se não fosse famoso. Mas ok, ele fez Superbad e Besouro Verde, Virgem de 40 anos e outros. Também, muito mais positivos que negativos. Faz o personagem principal ou coadjuvante, com uma personalidade definida e muito carisma.
No 50/50 Adam(Joseph Gordon...) é o personagem principal, um cara meio coadjuvante, sem grandes características marcantes, sem vicios e com hábitos saudáveis. Além disso tem namorada, trabalho e família na história. Está sentindo dores nas costas e vai ao médico. É câncer.
Partindo desse ponto muitas coisas mudam na vida dele, como é esperado. Uma porção de conclusões, a relação dele com a mãe, novos amigos, relações amorosas... O que menos muda é a sua atitude com a vida. Ele continua muito quieto, calmo, controlado.
Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, Kyle(Seth Rogen) seu amigo está ao seu lado. Daquele jeito que já conhecemos... meio vagabundo, meio egoísta, mas no fundo gente boa.
Não é uma história leve, mas mesmo assim tem momentos engraçados. Recomendado!



Acho que na verdade não gosto muito do Joseph Gordon-Levitt pelo nome composto dele, que me lembra Sarah Jessica-Parker...


NOTA: 50/50 (2011) on IMDb

sábado, 1 de setembro de 2012

Dos Hermanos

Pela enésima vez, aplausos para o cinema argentino. Dois Irmãos é um filme de 2010, dirigido e escrito por Daniel Burman. Conta a história, obviamente, de dois irmãos e o conturbado convívio entre ambos: Marcos e Suzana, já idosos e que há pouco perderam a mãe.
Marcos é um velho quieto, na dele, amigável, de bom trato; já Suzana é o aposto, uma perua, chata. Ele, depois da morte da mãe, com quem ficava em Buenos Aires, vai morar em uma pequena cidade do Uruguai, num dos negócios envolvendo a irmã trambiqueira. Lá, é como Marcos encontrasse a si mesmo: em um velho casarão, andando de moto pela ruas velhas da ciudadela e se arranjando em uma peça de teatro. Suzana fica em Buenos Aires, tentanto passar a perna em alguns desavisados como corretora de imóveis.
O cenário do filme é muito bonito; a ideia da travessia do Prata entre o Uruguai e a Argentina dá um tom bonito a mudança de vida de ambos. E a obra melhora bastante do meio pro fim, com a relação entre ambos se estreitando e chegando a um belo final. Assistam!



sexta-feira, 20 de julho de 2012

Whisky

Mais um filme pampeano de baixo custo. Mais um ponto para o cinema latino-americano. Whisky foi realizado em 2004 por Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll. Fala da história de um uruguaio judeu entre os seus 50 e 60 anos dono de uma fábrica de meias. Lá, tem uma supervisora, Marta, um pouco mais nova que o dono, que cuida e organiza os afazeres do lugar. A relação entre os dois é seca: sim, não, gracías.
Jacobo tem um irmão - Herman - que após um belo tempo, resolve visitar Montevidéu para prestigiar o matzeiva da mãe de ambos. [Matzeiva é uma celebração judaica em que se coloca uma pedra no túmulo do falecido após um ano da morte (corrijam-me)]. Pra não ficar mal na parada, o protagonista convida Marta para ser sua mulher nos dias da visita. Ela aceita.
O desenrolar da película é bem interessante, já que Herman é um cara bem mais sociável que o irmão. Isso desperta em Marta o sorriso, a brincadeira. Jacobo sente ciúmes.
Talvez pra ti, mais uma vez, o filme seja meio paradão. As vezes parece uma série de fotografias de tão devagar, falta o clímax. Entretanto, o enredo é rico e consegue combinar bem drama e comédia. Só Jacobo que não consegue dar umas risadas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O pior trabalho do mundo (Get him to the Greek)

Uma comédia que eu estava para assistir há bastante tempo, desde quando vi pela primeira vez "Ressaca de Amor (Forgetting Sarah Marshall)" e depois descobri que o rockstar Aldous Snow seria personagem de outro filme.
O pior trabalho do mundo é o que Aaron tem de executar. Aparentemente o emprego dos sonhos vai se transformando a medida que ele vai conhecendo melhor a intimidade de um dos seus maiores ídolos: Aldous Snow, um rockstar meio decadente(porém lendário) e autodestrutivo. Aaron precisa traze-lo de Londres, passando por NY, até Los Angeles para um show que deve revitalizar a carreira dele, bem como gerar bastante receita para a gravadora de Sergio(vai sempre ser Puff Daddy pra mim, não importa quantas mudanças de nome ele fizer).
De antemão já dá pra imaginar que aquela turminha vai aprontar muita confusão, só que realmente a história vai tomando rumos bizarros demais, eles levam a loucura de um famoso ao limite. Para quem não está acostumado, tudo parece exagerado, mas chega a passar pela cabeça de um paisano(eu o resto da torcida do xavante) que as situações podem muito bem ser baseadas em fatos reais.
É uma comédia engraçada, não é um humor dos mais inteligentes, mas sim sujo e honesto, sem rodeios. Eu prefiro, forçando uma comparação, "Ressaca de Amor", embora sejam muito diferentes. Mesmo assim, assite lá que vale a pena, pra quem não tem problema em ouvir uma porrada de palavrões.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

PAUL

Indicação de quem entende muito de cinema: minha irmã.

Desde que assisti Shaun of the Dead me identifiquei com o estilo do humor. Acabei esquecendo, com o passar do tempo, da dupla de atores principais. Até que esses dias minha irmã, com quem frequentemente troco dicas de filmes, me passou PAUL, dizendo que era um filme engraçado em que o Seth Rogen é um E.T. e também com os 2 ingleses aqueles. Bastou pra despertar meu interesse.

Basicamente PAUL é isso mesmo. Um alien e suas aventuras com 2 nerds ingleses aficcionados por E.T.'s nos Estados Unidos. Eu não gosto muito de filmes de E.T., mas esse evidentemente é diferente, já mencionei que o extraterreno do momento é o Seth Rogen.

Além das piadas, situações caóticas e temática de road trip o final ainda ajuda bastante!

RECOMENDADO!