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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Relatos Salvajes

Taí um filme que me chamou atenção como há muito não me tocava. Coloco ele, sem medo, entre os top 10 da vida, quiçá top 5. Te lo juro! de tão bom que o é.
E não é porque tá o Darín - o Maradona do cinema e meu ídolo atual - no elenco. Relatos Salvajes, na verdade, não apenas conta uma história; são 6 pequenos contos que, sim, tem o mesmo tema: vingança, embora não se atenha só a ela. Vingança ela, que é indissociável da raiva, muito bem contada comitragicamente, o que nos faz ouvir risos na salinha do cinema.
A corrupção, mesmo a de pequenas causas, também é tocada na peli, o que nos incomoda. Incomoda porque a produção argentina, desse mesmo ano que finda em instantes, é uma brilhante metáfora da vida real. Quem não se identifica ou identifica outros personagens na briga de trânsito, quem não se enraivece com os corruptores do sistema? Relatos Selvagens vai além. Questiona onde estão nossos limites e se esses limites são éticos ou se o ético é ultrapassá-los.
O diretor, Daniel Szifron, não era do meu conhecimento, mas a produção tem ninguém menos que Almodóvar. Vai competir o filme ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Será lastimável se não levantar a estátua. Mas quem duvida do bom go$to da Academia?
Vê ele, e perde o teu tempo com os amigos discutindo o filme. Depois, discute comigo porque eu coloquei ele entre meus top 5 (sim, agora top 5). Só não te fresqueia e não inventa de ser mais um "herói" de outro relato selvagem.



terça-feira, 12 de novembro de 2013

Tesis Sobre Un Homicidio

Darín, HOMEM Darín, o cara que disse não a Tarantino (não me importa mais se não é o Tarantino). O porteño estrela mais uma vez (e quem mais seria?) um grande feito do cinema argentino.
Fui ver "Tese Sobre Um Homicídio" - um 6,3 a meu ver injusto no imdb - esperando ver um bom filme. Não tinha como esperar nada mais que isso depois do brilhante "El Secreto De Sus Ojos". Calma, Felipe! Não duvida da capacidade dos hermanos.
A obra em questão foi lançada esse ano em solo brasileiro e há menos de um mês esteve em cartaz. É dirigida por Hernán Barcos, não... Hernán Goldfrid, que - digamos - é mais certeiro que o centroavante gremista. Já havia estado a frente de "Tiempo de Valentes", que teve boa aceitação e ainda estou por ver. É incrível como lá se erguem muito bons diretores; proporcionalmente, dão de relho no Brasil.
Sobre o filme em si, "Tese Sobre Un Homicidio" se passa em Buenos Aires, e tem locações no bonito prédio da Faculdade de Direito, na Recoleta. Darín vive Roberto Bermúdez, advogado e professor, que - na história - ministra um seminário a recém-formados.
Já no primeiro dia, um dos alunos (Gonzalo), filho de um ex-colega de Bermúdez, chega atrasado. Polido, o rapaz logo chama atenção do mestre, pela postura um tanto quanto arrogante. Dias depois, uma moça é assassinada e seu corpo é largado no estacionamento da Universidade. Começa então a busca pelo autor do crime, e Roberto se envolve nela. Começa junto a paranóia (paranóia?), em que tudo - dentro das evidências colhidas pelo personagem principal - leva a crer que o assassino é Gonzalo.
Muito interessante como é conduzido o enredo. Lembra thrillers norte-americanos, e é muito bem pensado, inteligente. Depois de assistir, li críticas de muitas pessoas sobre o final: uns não entenderam, outros não gostaram; eu, todavia, achei instigador. Foge do lugar-comum, o que - a meu ver - faz ganhar pontos. Se indico? Não hesita! Eu, excetuando Francisco, não duvido mais da capacidade dos argentinos.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Un Cuento Chino

Baita filme. Já tinham me falado várias vezes da obra, mas vinha deixando passar. Só penso como não tinha antes olhado, visto a tamanha qualidade do espetáculo. Un Cuento Chino é de 2011, 11 é a hora pontual que Roberto (Ricardo Darin, o onipresente) apaga a luz e apaga. Dirigido por Sebastián Borensteinz, tem locações na Argentina e na Espanha.
O filme conta a história do encontro entre o já citado Roberto, um veterano das Malvinas que vende brocas e alicates, obsessivo-mor, e Jun, um chinês perdido em Buenos Aires, fugido da desgraça da morte da noiva no Oriente. Inicialmente, e quase lugar-comum entre comédias, acontece a tentativa do desencontro: o argentino, seco, áspero, só quer se livrar do carinha: embaixada, delegacia, la, la, la... Mesmo assim, já fica evidente de cara, que por trás da secura, há a ternura (guevarismo?), a gana platense; vide a cena sensacional da discussão com o policial.
 
 
 
É tri ver a vida do suburbano porteño virando de cabeça pra baixo com a chegada do China; pensando positivamente, y así lo és, o ranzinza acaba se concertando, ajeitando os parafusos. A mudança vivida por Roberto é bonita: o loco consegue deixar de ser um doente mergulhado nas obsessões e passa a construir uma história mais verdadeira, mais absoluta, mais dulce de leche (la cosa más rica del mundo).
Outro ponto fantástico da película são as historietas que se entremeiam durante o desenrolar. Num cenário mais fantástico, mais mágico, mais Cortázar, a vida é contada de um jeito suave, ameno, em que até as tragédias tornam-se fundamentais (no?) e também tem seu lado pastelão.
Como dito tinha, perdi muito tempo até ver Um conto chinês. O cinema argentino vem caminhando a passos largos e ele é mais uma prova disso. Não comete o mesmo erro que eu. Dá uma colherada no doce de leite e aprecia ambos.
 
 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Nueve Reinas

Pelo visto Ricardo Darin é tipo o Selton Melo ou o Wagner Moura da Argentina. O cara simplesmente tá em todos os filmes!
Dessa vez ele é um trambiqueiro, picareta, vigarista, impostor, falsário, falcatrua, embusteiro. Enfim, um especialista em pequenos golpinhos, que está momentaneamente sem seu parceiro, e por não saber "trabalhar" sozinho, necessita de um cúmplice, um aliado, um parceiro, um comparsa. Como dizem, a ocasião faz o ladrão, e é assim que Marcos(Ricardo Darin) conhece Juan, quando esse segundo aplica uma clássica enrolada na hora que uma inocente caixa está lhe dando o troco. Assim começa a parceria entre os dois.
Por aí vai... saem pela cidade engambelando muita gente e de muito jeito diferente. É uma aula de malandragem. Os tipos que aparecem também são sensacionais, aparentemente existe um submundo de malandros especialistas nessa arte. Eis que ao encontrar um desses carismáticos logradores profissionais aparece uma oportunidade única: vender uma cartela de selos raros(as nove rainhas) a um filatelista milhonário.
Fazer isso aparentemente é uma missão simples, mas vai ficando complexo, e o filme cada vez mais interessante. Tem traição, problemas de família, romance, surpresa, o cardápio todo.
Um filme extremamente interessante e original, só o que falta é um trilha sonora animal.
Completamente recomendado, pode confiar, não é nenhuma armação.

Aí está o link pro imdb

sábado, 15 de outubro de 2011

Kamchatka

Eu já conhecia bastante coisa do cinema argentino antes de O Segredo de seus Olhos, mas é evidente que o país deu um passo gigantesco após o aclamado filme de Campanella. Minha namorada considera o melhor filme sulamericano já visto, quiçá mundial. Meu pai não esperava tanto, mas viu e achou espetacular. Assino embaixo a opinião dos dois.
A partir daí, fomos procurar mais de Ricardo Darín - herói argentino - e a produção de los hermanos, e encontramos Kamchatka, indicado pela Argentina ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2002. O diretor é Marcelo Piñeyro e conta sobre Harry ("Rári", em ispanglês), um menino que foge com os pais da cidade para uma casa de campo em virtude do Regime Militar.
É interessante a abordagem do filme: não se baseia em contar maus-tratos e perseguições durante a trágica época - fim da década de 70; e sim em fixar na figura do guri, mostrando como ele lida com a situação e suas intempéries.
Mais uma vez, é um filme sobre criança, mas não de. Tem uma fotografia belíssima, o elenco é excelente, embora o enredo não se compare ao de O Segredo de seus Olhos - comparação injusta, também. Fico feliz por termos um cinema latino de qualidade, embora nessa questão Maradona esteja a anos-luz de Pelé. Desculpa, Pablo.