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sábado, 15 de outubro de 2011

Kamchatka

Eu já conhecia bastante coisa do cinema argentino antes de O Segredo de seus Olhos, mas é evidente que o país deu um passo gigantesco após o aclamado filme de Campanella. Minha namorada considera o melhor filme sulamericano já visto, quiçá mundial. Meu pai não esperava tanto, mas viu e achou espetacular. Assino embaixo a opinião dos dois.
A partir daí, fomos procurar mais de Ricardo Darín - herói argentino - e a produção de los hermanos, e encontramos Kamchatka, indicado pela Argentina ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2002. O diretor é Marcelo Piñeyro e conta sobre Harry ("Rári", em ispanglês), um menino que foge com os pais da cidade para uma casa de campo em virtude do Regime Militar.
É interessante a abordagem do filme: não se baseia em contar maus-tratos e perseguições durante a trágica época - fim da década de 70; e sim em fixar na figura do guri, mostrando como ele lida com a situação e suas intempéries.
Mais uma vez, é um filme sobre criança, mas não de. Tem uma fotografia belíssima, o elenco é excelente, embora o enredo não se compare ao de O Segredo de seus Olhos - comparação injusta, também. Fico feliz por termos um cinema latino de qualidade, embora nessa questão Maradona esteja a anos-luz de Pelé. Desculpa, Pablo.

domingo, 4 de setembro de 2011

Das weiße Band, Eine deutsche Kindergeschichte

Filmado totalmente em preto e branco - se fosse colorido, não teria o mesmo valor, A Fita Branca, de 2010, se ambienta em um vilarejo alemão no início do século passado, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial. Nele, a vida dos habitantes transcorre "normalmente", sob a tutela do conservadorismo e do fanatismo religioso. Acontecimentos estranhos então abalam toda a comunidade.



Nem tempo, nem local são os mesmos. Entretanto, se vê nítida uma relação (não conexão) entre os dois últimos trabalhos de Haneke. O diretor soube como abordar, tanto Caché quanto em A Fita Branca, o comportamento do homem em situações de difícil lida. Mais uma vez, o clímax é o próprio enredo, e não os cinco minutos finais. Isso pode até deixar alguns espectadores revoltados, mas dá mais sentido ainda a obra.
O austríaco teve êxito também em mostrar o quanto somos influenciáveis pelo meio, seja ele a comunidade ou a família, e o quanto isso pode vir a trazer conseqüências drásticas. Naturalismo puro! O que será das crianças no futuro? Certo ou errado, a jogada foi sensacional.
Venceu Cannes 2010. Sem reparos. Pra mim, esse sim, o melhor da década.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Io non ho paura

"Eu não tenho medo", de 2003, conta a história de um menino de 10 anos que encontra um rapazote da mesma idade acorrentado dentro de um buraco. Na busca pelo por que do outro se encontrar naquela situação, Michele (pronuncia-se “Miquele”) percebe que não pode confiar nem nos pais; e aí nasce a amizade entre os dois. O cenário é uma pequena vila campeira no sul da Itália, durante o período conhecido como Anni di piombo, época de grande efervescência sociopolítica no país da bota.
A fotografia do filme é sensacional. Explora o ambiente bucólico com cores e tons fortes, de um quê pueril, contrastando com a escuridão em que fica preso o rapazote. Há uma interessante conexão entre os relatos do personagem principal - que à noite tem lampejos de romancista, escrevendo em um diário - e campo, bichos e adultos. O amadurecimento de Michele se torna evidente e enriquece ainda mais o enredo.
O resultado da criação de Gabriele Salvatores, baseada em fatos reais, é belo. Incompreensível como não ganhou nenhum prêmio fora da Itália.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

L'equip petit

"L'Equip petit" é um curta espanhol que apresenta o Margatània, equipe mirim de futebol composta por onze meninos e duas meninas. O time disputa um campeonato local na Cataluña e não consegue marcar um gol sequer. No vídeo, há imagens de uma partida e depoimentos dos jogadores e dos pais. Mesmo com a atuação desastrada, as crianças não perdem a alegria de simplesmente e apenas jogar futebol. Belíssimo!

Créditos: El País