Mostrando postagens com marcador michael haneke. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador michael haneke. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de setembro de 2011

Das weiße Band, Eine deutsche Kindergeschichte

Filmado totalmente em preto e branco - se fosse colorido, não teria o mesmo valor, A Fita Branca, de 2010, se ambienta em um vilarejo alemão no início do século passado, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial. Nele, a vida dos habitantes transcorre "normalmente", sob a tutela do conservadorismo e do fanatismo religioso. Acontecimentos estranhos então abalam toda a comunidade.



Nem tempo, nem local são os mesmos. Entretanto, se vê nítida uma relação (não conexão) entre os dois últimos trabalhos de Haneke. O diretor soube como abordar, tanto Caché quanto em A Fita Branca, o comportamento do homem em situações de difícil lida. Mais uma vez, o clímax é o próprio enredo, e não os cinco minutos finais. Isso pode até deixar alguns espectadores revoltados, mas dá mais sentido ainda a obra.
O austríaco teve êxito também em mostrar o quanto somos influenciáveis pelo meio, seja ele a comunidade ou a família, e o quanto isso pode vir a trazer conseqüências drásticas. Naturalismo puro! O que será das crianças no futuro? Certo ou errado, a jogada foi sensacional.
Venceu Cannes 2010. Sem reparos. Pra mim, esse sim, o melhor da década.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Caché

“Caché”, de 2005, se passa na década passada, em uma cidade francesa. O filme inicia com um apresentador de programa de televisão, Georges, e a esposa analisando uma fita de vídeo. Nela, uma câmera parada mostra a casa do casal sendo vigiada. Depois, além de outras filmagens, recebem envelopes contendo desenhos que aterrorizam marido e mulher. As ilustrações fazem o personagem principal tentar voltar ao passado na busca de uma explicação para o acontecimento. A partir daí, e muito devido ao pânico que se instala após as cartas, Georges começa a viver um conflito familiar. Não só no que tange o casamento em si, mas também na sua relação com o filho.
Haneke soube como abordar não só o comportamento do homem em situações de difícil lida. Teve êxito também em mostrar, como cenário, a sociedade francesa e seus dogmas e recalques contemporâneos. Quem conhece o diretor sabe que o plano de fundo é como o gran finale das produções de Hollywood. É a razão da obra.
Aqui escrevendo, lembrei de Onde os fracos não tem vez (de Hollywood, por sinal). A cena da moeda, em que Chigurh, no cara e coroa, indaga um vendedor se ele não passou a vida inteira apostando. Pois então, chega o momento no filme de Haneke em que não se trata de descobrir quem é o responsável pelos atos, e sim de analisar a “vítima”. Não é ele tão culpado quanto o “vilão”? Não passou Georges a vida inteira “apostando”?
Foi eleito pela Times o melhor filme da década. Não acho que tenha sido, mas vale a pena. Pode apostar!