Jeff, who lives at home é o nome do filme. Acho que ele não foi lançado no Brasil com um aposto, como nos EUA. Aqui ele é apenas Jeff.
Jeff(Jason Segel, o Marshal do How I met you mother) é um cara de 30 anos que ainda vive com a mãe, não trabalha, não tem namorada e não tem objetivos na vida. Ele parece estar esperando algum sinal para agir. Alguma força maior que o ponha em movimento. O filme é sobre isso. O dia que a vida do Jeff vai ter sentido.
Ao mesmo tempo, estão na história a mãe e o irmão, que são o oposto do Jeff, simplesmente por serem pessoas normais. Exteriormente. Tanto a mãe(Susan Sarandon) quanto o irmão(Ed Helms, que ficou mais famoso pelo personagem no "Se beber não case") estão na merda. Mas advinha? Os problemas deles não são tão diferentes assim dos do Jeff...
É um filme com momentos engraçados misturados com, na minha percepção, um drama muito raso. Não chega a emocionar e nem faz rir. Tem umas cenas interessantes, como por exemplo uma chamadinha rápida pra Telma e Louise.
Se tu é do tipo de pessoa que acredita em destino, sinais, e todo o resto de filosofia que vem junto com o estilo de vida, tenho certeza que vais gostar do filme. Não é pro meu gosto, não tenho tanta sensibilidade. Tem no Netflix.
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quarta-feira, 8 de abril de 2015
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Miss Violence
Nunca tinha visto qualquer filme grego. Li sobre esse num link indicando bons filmes de 2014 fora do círculo midiático. O "fora do círculo midiático" me fez ir atrás (#wannabe). Depois vi que já tinha sido premiado em Veneza e bem avaliado pela "crítica especializada", aquela chata.
Miss Violence não é uma tragédia grega, embora pareça querer. Começa em uma bonitinha festa de aniversário de criança, com bolo e vovôs. Não é que, sem motivo aparente, uma guriazinha de 11 anos se atira da janela do apartamento? Inicia a trama!
Não constitui um thriller e não tem nada de suspense. É um drama sarcástico sobre a classe média ateniense; uma crítica ao machismo, ao abuso de poder, às estruturas da sociedade grega - foi o que eu tentei entender.
No início, é tudo meio confuso e entediante. Tu não sabe quem é o pai da criança, ou se ele é o avô. A mãe tu não sabe se é mãe ou vó, mas tudo vai se explicando conforme passa o tempo. Aí começa a ficar interessante, mas um interesse que logo se dissolve: a causa mortis e o desfecho de tornam óbvios. O filme acaba como começou, apático, chato, ainda que com uma abordagem interessante e coloridas com cenas que pedem estômago vazio. Uma superculpabilização da vítima também parece exagerada; é um tema que, todavia, merece discussão e é bem levantado pelo diretor. Ponto pra ele.
Não conhecia nenhum dos atores e todos me agradaram. Eles ajudam, o enredo é que parece travado. Ainda assim, acho que é uma boa oportunidade pra conhecer o cinema da Grécia. Dizem que o teatro de lá é bacana.
Miss Violence não é uma tragédia grega, embora pareça querer. Começa em uma bonitinha festa de aniversário de criança, com bolo e vovôs. Não é que, sem motivo aparente, uma guriazinha de 11 anos se atira da janela do apartamento? Inicia a trama!
Não constitui um thriller e não tem nada de suspense. É um drama sarcástico sobre a classe média ateniense; uma crítica ao machismo, ao abuso de poder, às estruturas da sociedade grega - foi o que eu tentei entender.
No início, é tudo meio confuso e entediante. Tu não sabe quem é o pai da criança, ou se ele é o avô. A mãe tu não sabe se é mãe ou vó, mas tudo vai se explicando conforme passa o tempo. Aí começa a ficar interessante, mas um interesse que logo se dissolve: a causa mortis e o desfecho de tornam óbvios. O filme acaba como começou, apático, chato, ainda que com uma abordagem interessante e coloridas com cenas que pedem estômago vazio. Uma superculpabilização da vítima também parece exagerada; é um tema que, todavia, merece discussão e é bem levantado pelo diretor. Ponto pra ele.
Não conhecia nenhum dos atores e todos me agradaram. Eles ajudam, o enredo é que parece travado. Ainda assim, acho que é uma boa oportunidade pra conhecer o cinema da Grécia. Dizem que o teatro de lá é bacana.
quinta-feira, 24 de julho de 2014
12 Homens e Uma Sentença
Esse filme de 1957 está no top 10 do imdb - atualmente é o número 8. Sempre queria assistir, mas por ser muito antigo, deixava pra outra hora. Até que, numa noite dessas, procurei um filme antigo para colocar e dormir rápido. Esse foi o primeiro que apareceu. Grande erro. Praticamente não pisquei durante os 96 minutos de duração.
12 Homens e Uma Sentença é um filme de advogado, de tribunal. Não é como Meu Primo Vinny, está mais para... sei lá. Um jovem de 18 anos está sendo acusado de assassinar seu pai a facadas. Todas as provas apontam para: CULPADO. Ainda assim, o juri - composto de 12 - deve chegar a uma decisão e proferir seu voto. Qualquer que seja, deverá ser unânime.
Entram numa sala os 12. Cada um mais personagem que o outro: o piadista, o velhote, o racista, o metódico, o machista e assim por diante. E um deles é o sensato. Só isso. Nenhum super herói. É a razão, imparcialidade. Iniciam a votação - objetivo primário de estarem enclausurados na pequena sala - e não chegam a unanimidade. Após a votação, o debate. Como pode achar que ele não é culpado, que ele não matou o pai?
O dia é quente, a sala é pequena e sem ar condicionado. As tomadas são longas. Começa a chover. A discussão aperta. Tudo isso sem trilha sonora, em preto e branco, só 12 personagens no filme inteiro, no mesmo cenário.
"Eu não sei se ele é inocente, mas não tenho certeza que ele é culpado" - é o que o Henry Fonda diz. E agora?
É melhor prender um inocente ou deixar um criminoso livre? Quanto vale e quanto nos preocupamos com a vida do outro?
Baita filme, desde 1957.
12 Homens e Uma Sentença é um filme de advogado, de tribunal. Não é como Meu Primo Vinny, está mais para... sei lá. Um jovem de 18 anos está sendo acusado de assassinar seu pai a facadas. Todas as provas apontam para: CULPADO. Ainda assim, o juri - composto de 12 - deve chegar a uma decisão e proferir seu voto. Qualquer que seja, deverá ser unânime.
Entram numa sala os 12. Cada um mais personagem que o outro: o piadista, o velhote, o racista, o metódico, o machista e assim por diante. E um deles é o sensato. Só isso. Nenhum super herói. É a razão, imparcialidade. Iniciam a votação - objetivo primário de estarem enclausurados na pequena sala - e não chegam a unanimidade. Após a votação, o debate. Como pode achar que ele não é culpado, que ele não matou o pai?
O dia é quente, a sala é pequena e sem ar condicionado. As tomadas são longas. Começa a chover. A discussão aperta. Tudo isso sem trilha sonora, em preto e branco, só 12 personagens no filme inteiro, no mesmo cenário.
"Eu não sei se ele é inocente, mas não tenho certeza que ele é culpado" - é o que o Henry Fonda diz. E agora?
É melhor prender um inocente ou deixar um criminoso livre? Quanto vale e quanto nos preocupamos com a vida do outro?
Baita filme, desde 1957.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Orange is the New Black
Estava eu tentando escolher alguma coisa pra assistir, no infinito de coisas do Netflix. Apesar da separação por estilos, muitas vezes eles não tem muita relação. Já tinha perdido quase 10 minutos julgando a sessão "Se você gostou de The Office". Até que cansei e escolhi um qualquer, sem preconceito. Escolhi esse Orange is the New Black sem antes ver a nota do IMDB, sem ver atores e nada. Só sabia que era produção do Netflix.
A história até que é interessante. Uma mulher vai presa por crimes que cometeu 10 anos atrás. Ela não é de fato uma criminosa recorrente. Foi infratora no passado, numa fase diferente da vida, mas depois voltou a ser uma pessoa normal - deixando de lado a discussão sobre o que é de fato normal, não leve a mal. Fato relevante: baseado na história de vida de uma americana. Quem quiser pode tentar achar a biografia dela em portugues, só achei em ingles.
Ela chega na prisão e precisa se adaptar a essa nova realidade. Uma prisão totalmente feminina, que normalmente não é frequentemente objeto de filmes e seriados, e não faz parte do mundo dela. Não fazia.
Os episódios tem cerca de 1 hora de duração e constantemente mostram flashbacks da vida de outras detentas(meio desconexos com a história principal), flashbacks tambem da vida da personagem principal chamada Piper Chapman e partes da vida da Piper fora da cadeia - que segue o curso normal com seu noivo e melhor amiga.
O elenco é quase 100% feminino, mas não se enquadra como um seriado de mulher, como o odioso Sex and the City por exemplo, cujo drama é ridículo e a tentativa de humor é o real motivo de drama. Não é um drama chorão e tem momentos de comédia bem colocados.
Achei interessante e continuarei assistindo.
| Piper da T.V. |
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Vigaristas
Vigaristas é um filme interessante. Trata, surpreendentemente, da vida de 2 trapaceiros e seus golpes.
Os personagens principais: Os irmãos Bloom (Adrian Brody e Mark Ruffalo) e sua parceira Bang Bang, uma japonesa cujo mistério só pode ser medido pelo seu silêncio, e Penelope (Rachel Weiss), que é a mulher que sofre o golpe - a definição de rica excêntrica.
Basicamente os irmãos vivem de pequenos golpinhos, pequenas carraspanas, desde sempre. Como de costume, um dos irmãos é feliz e o outro triste, um realizado e o outro insatisfeito. Nesse caso, o triste é o eternamente desengonçado, narigudo depressivo Adrien Brody. Brody então faz um pacto com seu mano, que após o último embuste deixará essa vida e procurará a sua verdadeira identidade. Pois veja, o irmão mais velho é a mente brilhante e ardilosa dos golpes, que cria as histórias para que o mais novo (Brody) as viva como anti-herói. Logo, quem é ele, se não um acumulado de personagens? Ele não sabe. Somente não contava que a próxima vítima seria Penelope, a adorável milhonária excêntrica e solitária que, como ela fala, coleciona hobbies. Quer profissão melhor que essa?
O filme é interessante por ser um vigarista dentro de si mesmo. É uma comédia sem risadas e um drama sem lágrimas. Ao mesmo tempo, quando parece contar a história, está te enganando. Quando parece te enganar, está contando a história. Bem interessante mesmo.
Ok, dito isso, rapidamente falando sobre o estilo: lembra muito os filmes do Wes Anderson, mas sem tanta apatia (embora o A. Brody ajude bastante nesse quesito) e sem o Bill Murray. Os personagens são caricatos, as locações são muito legais, o figurino e fotografia também. Os diálogos são interessantes, a história é bem construída.
Certamente vale a pena assistir, não se deixe enganar pela nota do IMDB.
Está disponível no NETFLIX.
Os personagens principais: Os irmãos Bloom (Adrian Brody e Mark Ruffalo) e sua parceira Bang Bang, uma japonesa cujo mistério só pode ser medido pelo seu silêncio, e Penelope (Rachel Weiss), que é a mulher que sofre o golpe - a definição de rica excêntrica.
![]() |
| Não é o poster original, mas achei bem melhor. |
O filme é interessante por ser um vigarista dentro de si mesmo. É uma comédia sem risadas e um drama sem lágrimas. Ao mesmo tempo, quando parece contar a história, está te enganando. Quando parece te enganar, está contando a história. Bem interessante mesmo.
Ok, dito isso, rapidamente falando sobre o estilo: lembra muito os filmes do Wes Anderson, mas sem tanta apatia (embora o A. Brody ajude bastante nesse quesito) e sem o Bill Murray. Os personagens são caricatos, as locações são muito legais, o figurino e fotografia também. Os diálogos são interessantes, a história é bem construída.
| Se não é o retrato da depressão. |
Está disponível no NETFLIX.
domingo, 22 de setembro de 2013
Budapeste
Há tempos não comentava filme brasileiro; nem sei se já o havia feito aqui no blog. Dessa vez, me pareceu válido.
Depois de um giro europeu em Agosto, decidi ler "Budapeste", o livro de Chico Buarque, ganhador do Jabuti em 2004. A capital húngara foi, depois das cidades portuguesas, e talvez junto com Berlim, dos lugares que mais me encantou. Nada mais justo que revivê-la com a literatura.
O filme foi consequência. "Budapeste", baseado na obra, é de 2009 e foi dirigido por Walter Carvalho, o mesmo de "Amarelo Manga" e "Abril Despedaçado".
Como o livro, conta a história de um ghost-writer, José Costa (que na Hungria vira Kósta Zsoze) que, sem querer, acaba fazendo escala na terra magiar. Lá, e consumido pelos conflitos do casamento com Vanda, com quem vive no Rio de Janeiro, acaba se encantando por Kriska; não só por ela, mas pelo idioma local, "língua que até o diabo respeita".
Digamos que Kósta (mais autêntico assim) é um profissional frustrado e isso se torna claro no decorrer da película. Eu, como espectador, transformei a empatia inicial num sentimento de, digamos, "que cara chato" depois de algumas cenas. O personagem, talvez o que tem de melhor no filme, me pareceu muito bem interpretado por Leonardo Medeiros.
A máxima, pelo menos a minha, é "um filme é sempre pior que um livro". Ponto pra mim; sempre falta algo - o chato sou eu, agora. Ademais, "Budapeste", como a grande maioria da cinematografia brasileira (pornochanchada!), acaba pecando no excesso de sexualidade... sensualidade... nudez... é tudo putaria tupiniquim... posso assim dizer? O Rio de Janeiro, e o Brasil como extensão, não se resume a sexo e violência. A Argentina, anos-luz a nossa frente, não se resume a tango e dramaticidade; e o cinema local sabe como usá-los não só a seu bel-prazer.
Ainda assim, tem méritos a obra e acredito que seja válido ocupar o tempo com ela. Mas primeiro lê o livro. Né felt!
Depois de um giro europeu em Agosto, decidi ler "Budapeste", o livro de Chico Buarque, ganhador do Jabuti em 2004. A capital húngara foi, depois das cidades portuguesas, e talvez junto com Berlim, dos lugares que mais me encantou. Nada mais justo que revivê-la com a literatura.
O filme foi consequência. "Budapeste", baseado na obra, é de 2009 e foi dirigido por Walter Carvalho, o mesmo de "Amarelo Manga" e "Abril Despedaçado".
Como o livro, conta a história de um ghost-writer, José Costa (que na Hungria vira Kósta Zsoze) que, sem querer, acaba fazendo escala na terra magiar. Lá, e consumido pelos conflitos do casamento com Vanda, com quem vive no Rio de Janeiro, acaba se encantando por Kriska; não só por ela, mas pelo idioma local, "língua que até o diabo respeita".
Digamos que Kósta (mais autêntico assim) é um profissional frustrado e isso se torna claro no decorrer da película. Eu, como espectador, transformei a empatia inicial num sentimento de, digamos, "que cara chato" depois de algumas cenas. O personagem, talvez o que tem de melhor no filme, me pareceu muito bem interpretado por Leonardo Medeiros.
A máxima, pelo menos a minha, é "um filme é sempre pior que um livro". Ponto pra mim; sempre falta algo - o chato sou eu, agora. Ademais, "Budapeste", como a grande maioria da cinematografia brasileira (pornochanchada!), acaba pecando no excesso de sexualidade... sensualidade... nudez... é tudo putaria tupiniquim... posso assim dizer? O Rio de Janeiro, e o Brasil como extensão, não se resume a sexo e violência. A Argentina, anos-luz a nossa frente, não se resume a tango e dramaticidade; e o cinema local sabe como usá-los não só a seu bel-prazer.
Ainda assim, tem méritos a obra e acredito que seja válido ocupar o tempo com ela. Mas primeiro lê o livro. Né felt!
domingo, 7 de julho de 2013
Gael García Bernal talvez seja hoje o maior ícone do cinema latino-americano. Desde Amores Peros, protagonizou diversos filmes interessantes e de alto conceito, o que o levou a Hollywood, por fim. Todos muito bons, realmente, e de brilhante atuação do mexicano. Agora, ele volta às raízes pra ser o mocinho em No, filme chileno do ano passado, dirigido por Pablo Larraín.
Todo filme chileno é sobre ditadura? Sim, o que não tira a qualidade do último. Brincadeiras a parte - acho que o outro filme que assisti de produção no país mais fino do mundo foi Machuca (excelente!) - a película sobre a qual comento é baseada em fatos reais. Em 1988, a ditadura de Pinochet convocou um plebiscito para saber se a população desejava ("SÍ") ou não ("NO") a manutenção do próprio no poder por mais oito anos. Aí entra René Saavedra - vivido por Bernal - publicitário que, convidado, decidi cooperar com a campanha a favor do NO; por outro lado, seu chefe de empresa, é "conselheiro" do SÍ.
Como toda película que tem qualquer tipo de regime opressor como pano de fundo, é fundamental um pouco (ou muito) romantismo. Saavedra - um homem, no mínimo, necessário - é separado, tem um filho, vive um vai-e-vem com a ex-esposa (ou uma tentativa disso), que é inclusive mais engajada politicamente que ele. Ao mesmo tempo e, obviamente, se envolve com os opositores do regime; assim, também é perseguido, e toma partido a partir disso - o que o torna mais rico como pessoa.
"No" é um filme excelente, não serve apenas como mais um clichê. Concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e perdeu para "Amour", outra pérola de Michael Haneke - o que, na minha opinião, não o coloca em um nível abaixo.
Todo filme chileno é sobre ditadura? Sim, o que não tira a qualidade do último. Brincadeiras a parte - acho que o outro filme que assisti de produção no país mais fino do mundo foi Machuca (excelente!) - a película sobre a qual comento é baseada em fatos reais. Em 1988, a ditadura de Pinochet convocou um plebiscito para saber se a população desejava ("SÍ") ou não ("NO") a manutenção do próprio no poder por mais oito anos. Aí entra René Saavedra - vivido por Bernal - publicitário que, convidado, decidi cooperar com a campanha a favor do NO; por outro lado, seu chefe de empresa, é "conselheiro" do SÍ.
Como toda película que tem qualquer tipo de regime opressor como pano de fundo, é fundamental um pouco (ou muito) romantismo. Saavedra - um homem, no mínimo, necessário - é separado, tem um filho, vive um vai-e-vem com a ex-esposa (ou uma tentativa disso), que é inclusive mais engajada politicamente que ele. Ao mesmo tempo e, obviamente, se envolve com os opositores do regime; assim, também é perseguido, e toma partido a partir disso - o que o torna mais rico como pessoa.
"No" é um filme excelente, não serve apenas como mais um clichê. Concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e perdeu para "Amour", outra pérola de Michael Haneke - o que, na minha opinião, não o coloca em um nível abaixo.
terça-feira, 25 de junho de 2013
Hombre de Al Lado
Mais uma vez, os argentinos me comovem - não é a toa que eu acho Maradona dez vezes mais brilhante que Pelé. Não só eu, todos os sensatos. Mas vamos ao que interessa.
Le Corbusier foi um cultuado arquiteto/urbanista francês que, em viagem a Argentina, ajudou a erguer uma casa em La Plata, na província de Buenos Aires. É lá que se passa a história. Agora a ficção...
Filme de 2009, O Homem ao Lado começa com Leonardo, designer e chato, sendo acordado por ruídos de uma obra. Levantando a persiana, eis: uma janela sendo erguida com vista para sua casa. O mandante do "crime" é Victor, típico argentino malandro, que diz querer aproveitar os raios de sol que antes não lhe davam as caras. Aí começa o pesadelo do morador da residência de Corbusier.
O vizinho assusta, de início, pelo tipo rudo, e Leonardo, que vive com a esposa e a filha, tenta de todas as maneiras impedir a obra do homem. Todavia, sempre com precaução, o medo também começa a tomar conta da psiqué do chato... medo que se transforma em paranoia. Do meio do filme em diante (e pode ler mesmo não tendo visto), digamos que a trama mocinho-bandido vira e dá outra conotação ao enredo. Bem mais interessante, por sinal.
É uma bela obra, que, infelizmente, quase se restringe a um único cenário: casa e arredores. O jogo psicológico entre os dois homens é demasiado inteligente e faz pensar a respeito de preconceitos tolos. Vale a olhada, cabrón.
Le Corbusier foi um cultuado arquiteto/urbanista francês que, em viagem a Argentina, ajudou a erguer uma casa em La Plata, na província de Buenos Aires. É lá que se passa a história. Agora a ficção...
Filme de 2009, O Homem ao Lado começa com Leonardo, designer e chato, sendo acordado por ruídos de uma obra. Levantando a persiana, eis: uma janela sendo erguida com vista para sua casa. O mandante do "crime" é Victor, típico argentino malandro, que diz querer aproveitar os raios de sol que antes não lhe davam as caras. Aí começa o pesadelo do morador da residência de Corbusier.
O vizinho assusta, de início, pelo tipo rudo, e Leonardo, que vive com a esposa e a filha, tenta de todas as maneiras impedir a obra do homem. Todavia, sempre com precaução, o medo também começa a tomar conta da psiqué do chato... medo que se transforma em paranoia. Do meio do filme em diante (e pode ler mesmo não tendo visto), digamos que a trama mocinho-bandido vira e dá outra conotação ao enredo. Bem mais interessante, por sinal.
É uma bela obra, que, infelizmente, quase se restringe a um único cenário: casa e arredores. O jogo psicológico entre os dois homens é demasiado inteligente e faz pensar a respeito de preconceitos tolos. Vale a olhada, cabrón.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
The Way Back
Caminho da liberdade é um filme dirigido por Peter Weir, de 2010, baseado em fatos reais. Inspirado em um livro de Slawomir Rawicz (não o conhecia), conta a história de sete prisioneiros de um gulag siberiano que fogem da União Soviética na época de Stálin. Tem no elenco, além do mocinho Jim Sturgess, os muito bons Ed Harris, que há tempos não via e já havia trabalhado com Weir no bom Truman Show, e Colin Farrell, que há pouco comentei.
A cena inicial já é tensa, mostrando a condenação de Janusz, soldado polaco, há 20 anos de prisão na Sibéria - com a esposa sendo forçada a "confessar" a culpa. Daí, o mocinho se depara com toda a podridão do gulag e as maracutaias que rolam pelo beco. Lá conhece o americano (sim, um americano acabou na Sibéria) Mr. Smith (Ed Harris) e o russo, com sotaque e tudo, Valka (mais uma baita atuação de Colin Farrell). Se juntam a outros quatro, e, em meio a uma tempestade, fogem da barbárie. Começa a aventura!
Adiante, o cenário é espetacular, passando por neve, água, deserto e otras más, sempre com cenas bonitas em cada um. Algumas nem tanto, como a da competição por comida com os lobos - merece ficar entre as grandes do cinema! A inclusão da menina no meio do filme, que de rejeitada passa a "filhinha", também marca pontos na tabela. Outra passagem bacana é a da despedida do ambivalente (pelo menos pra Janusz e pra mim) Valka, que dá um tom um tanto quanto filosófico à fronteira USSR-Mongólia, que na verdade não havia acabado - permanecia em todos, inclusive.
Talvez a película peque em não mostrar muito dificuldades "não naturais" (como se já não bastassem as naturais); digo confronto com soviéticos, fugas e lero-lero. A cena final também, meio óbvia demais, poderia ter sido melhor trabalhada. Defeitos esses que pouco interferem na qualidade da obra, bonita, que merece a olhada. Vejam e fujam do seu gulag interior - que belo, não?
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
50/50
Recentemente assisti esse filme de 2011.
Nem sempre gosto de filmes com o Seth Rogen, mas gosto da maior parte. O mesmo serve para os com o Joseph Gordon-Levitt. Na verdade mais pelo 500 days of summer, que particularmente achei um saco. Se salva por A Origem e o último Batman. Muito mais positivos que negativos. Ele normalmente é o coadjuvante tímido, personagem interessante mas sem muito carisma.
Acho que o Seth Rogen faz o mesmo papel sempre: vagabundo que acaba se dando bem. Sempre pega uma mulher que nunca pegaria na vida real, se não fosse famoso. Mas ok, ele fez Superbad e Besouro Verde, Virgem de 40 anos e outros. Também, muito mais positivos que negativos. Faz o personagem principal ou coadjuvante, com uma personalidade definida e muito carisma.
No 50/50 Adam(Joseph Gordon...) é o personagem principal, um cara meio coadjuvante, sem grandes características marcantes, sem vicios e com hábitos saudáveis. Além disso tem namorada, trabalho e família na história. Está sentindo dores nas costas e vai ao médico. É câncer.
Partindo desse ponto muitas coisas mudam na vida dele, como é esperado. Uma porção de conclusões, a relação dele com a mãe, novos amigos, relações amorosas... O que menos muda é a sua atitude com a vida. Ele continua muito quieto, calmo, controlado.
Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, Kyle(Seth Rogen) seu amigo está ao seu lado. Daquele jeito que já conhecemos... meio vagabundo, meio egoísta, mas no fundo gente boa.
Não é uma história leve, mas mesmo assim tem momentos engraçados. Recomendado!
Acho que na verdade não gosto muito do Joseph Gordon-Levitt pelo nome composto dele, que me lembra Sarah Jessica-Parker...
NOTA:
Nem sempre gosto de filmes com o Seth Rogen, mas gosto da maior parte. O mesmo serve para os com o Joseph Gordon-Levitt. Na verdade mais pelo 500 days of summer, que particularmente achei um saco. Se salva por A Origem e o último Batman. Muito mais positivos que negativos. Ele normalmente é o coadjuvante tímido, personagem interessante mas sem muito carisma.
Acho que o Seth Rogen faz o mesmo papel sempre: vagabundo que acaba se dando bem. Sempre pega uma mulher que nunca pegaria na vida real, se não fosse famoso. Mas ok, ele fez Superbad e Besouro Verde, Virgem de 40 anos e outros. Também, muito mais positivos que negativos. Faz o personagem principal ou coadjuvante, com uma personalidade definida e muito carisma.
No 50/50 Adam(Joseph Gordon...) é o personagem principal, um cara meio coadjuvante, sem grandes características marcantes, sem vicios e com hábitos saudáveis. Além disso tem namorada, trabalho e família na história. Está sentindo dores nas costas e vai ao médico. É câncer.
Partindo desse ponto muitas coisas mudam na vida dele, como é esperado. Uma porção de conclusões, a relação dele com a mãe, novos amigos, relações amorosas... O que menos muda é a sua atitude com a vida. Ele continua muito quieto, calmo, controlado.
Ao mesmo tempo que tudo isso acontece, Kyle(Seth Rogen) seu amigo está ao seu lado. Daquele jeito que já conhecemos... meio vagabundo, meio egoísta, mas no fundo gente boa.
Não é uma história leve, mas mesmo assim tem momentos engraçados. Recomendado!
Acho que na verdade não gosto muito do Joseph Gordon-Levitt pelo nome composto dele, que me lembra Sarah Jessica-Parker...
NOTA:
sábado, 1 de setembro de 2012
Dos Hermanos
Pela enésima vez, aplausos para o cinema argentino. Dois Irmãos é um filme de 2010, dirigido e escrito por Daniel Burman. Conta a história, obviamente, de dois irmãos e o conturbado convívio entre ambos: Marcos e Suzana, já idosos e que há pouco perderam a mãe.
Marcos é um velho quieto, na dele, amigável, de bom trato; já Suzana é o aposto, uma perua, chata. Ele, depois da morte da mãe, com quem ficava em Buenos Aires, vai morar em uma pequena cidade do Uruguai, num dos negócios envolvendo a irmã trambiqueira. Lá, é como Marcos encontrasse a si mesmo: em um velho casarão, andando de moto pela ruas velhas da ciudadela e se arranjando em uma peça de teatro. Suzana fica em Buenos Aires, tentanto passar a perna em alguns desavisados como corretora de imóveis.
O cenário do filme é muito bonito; a ideia da travessia do Prata entre o Uruguai e a Argentina dá um tom bonito a mudança de vida de ambos. E a obra melhora bastante do meio pro fim, com a relação entre ambos se estreitando e chegando a um belo final. Assistam!
Marcos é um velho quieto, na dele, amigável, de bom trato; já Suzana é o aposto, uma perua, chata. Ele, depois da morte da mãe, com quem ficava em Buenos Aires, vai morar em uma pequena cidade do Uruguai, num dos negócios envolvendo a irmã trambiqueira. Lá, é como Marcos encontrasse a si mesmo: em um velho casarão, andando de moto pela ruas velhas da ciudadela e se arranjando em uma peça de teatro. Suzana fica em Buenos Aires, tentanto passar a perna em alguns desavisados como corretora de imóveis.
O cenário do filme é muito bonito; a ideia da travessia do Prata entre o Uruguai e a Argentina dá um tom bonito a mudança de vida de ambos. E a obra melhora bastante do meio pro fim, com a relação entre ambos se estreitando e chegando a um belo final. Assistam!
domingo, 5 de agosto de 2012
Midnight in Paris
Meia-noite em Paris talvez seja o mais famosinho dos meus comentários. A grande maioria de vocês já ter visto; entretanto, não deixa de merecer o tópico.
O filme conta a história de Gil Pender, apaixonado por Paris e por autores norte-americanos. Escritor hollywoodiano, viaja para a Cidade Luz com a família da noiva por motivos de business.
Woody Allen matou a pau! Teve muito sucesso em construir o personagem de Gil, um cara que não tem nada a ver com a família da noiva, que não gosta de badalação e que prefere vagar por Paris em busca de alguma coisa, um sonho talvez. Todo o ambiente da capital francesa e a construção da Paris dos anos 20 torna o cenário propício para a estória, ajudando Pender a questionar os rumos de sua vida e coisa e tal.
Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Dalí são alguns dos geniozinhos que aparecem na película. Combinam com a obra - obra de gênio! Além da lindeza de tudo, tem o fim mais bonito que vi. Quiçá o FILME mais bonito que vi. Me espanta que não tenha sido tão aclamado - ou então eu não entenda nada de cinema. Melhor assim!
O filme conta a história de Gil Pender, apaixonado por Paris e por autores norte-americanos. Escritor hollywoodiano, viaja para a Cidade Luz com a família da noiva por motivos de business.
Woody Allen matou a pau! Teve muito sucesso em construir o personagem de Gil, um cara que não tem nada a ver com a família da noiva, que não gosta de badalação e que prefere vagar por Paris em busca de alguma coisa, um sonho talvez. Todo o ambiente da capital francesa e a construção da Paris dos anos 20 torna o cenário propício para a estória, ajudando Pender a questionar os rumos de sua vida e coisa e tal.
Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Dalí são alguns dos geniozinhos que aparecem na película. Combinam com a obra - obra de gênio! Além da lindeza de tudo, tem o fim mais bonito que vi. Quiçá o FILME mais bonito que vi. Me espanta que não tenha sido tão aclamado - ou então eu não entenda nada de cinema. Melhor assim!
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Whisky
Mais um filme pampeano de baixo custo. Mais um ponto para o cinema latino-americano. Whisky foi realizado em 2004 por Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll. Fala da história de um uruguaio judeu entre os seus 50 e 60 anos dono de uma fábrica de meias. Lá, tem uma supervisora, Marta, um pouco mais nova que o dono, que cuida e organiza os afazeres do lugar. A relação entre os dois é seca: sim, não, gracías.
Jacobo tem um irmão - Herman - que após um belo tempo, resolve visitar Montevidéu para prestigiar o matzeiva da mãe de ambos. [Matzeiva é uma celebração judaica em que se coloca uma pedra no túmulo do falecido após um ano da morte (corrijam-me)]. Pra não ficar mal na parada, o protagonista convida Marta para ser sua mulher nos dias da visita. Ela aceita.
O desenrolar da película é bem interessante, já que Herman é um cara bem mais sociável que o irmão. Isso desperta em Marta o sorriso, a brincadeira. Jacobo sente ciúmes.
Talvez pra ti, mais uma vez, o filme seja meio paradão. As vezes parece uma série de fotografias de tão devagar, falta o clímax. Entretanto, o enredo é rico e consegue combinar bem drama e comédia. Só Jacobo que não consegue dar umas risadas.
Jacobo tem um irmão - Herman - que após um belo tempo, resolve visitar Montevidéu para prestigiar o matzeiva da mãe de ambos. [Matzeiva é uma celebração judaica em que se coloca uma pedra no túmulo do falecido após um ano da morte (corrijam-me)]. Pra não ficar mal na parada, o protagonista convida Marta para ser sua mulher nos dias da visita. Ela aceita.
O desenrolar da película é bem interessante, já que Herman é um cara bem mais sociável que o irmão. Isso desperta em Marta o sorriso, a brincadeira. Jacobo sente ciúmes.
Talvez pra ti, mais uma vez, o filme seja meio paradão. As vezes parece uma série de fotografias de tão devagar, falta o clímax. Entretanto, o enredo é rico e consegue combinar bem drama e comédia. Só Jacobo que não consegue dar umas risadas.
domingo, 8 de julho de 2012
La Ventana
É fato que o cinema argentino me chama atenção. Não sei se pela atmosfera sombria, diferente do ensolarado Brasil, como contraponto; não importa, gosto dez vezes mais de nuvem do que de sol. Bobagem, estou falando agora de A janela, filme pampeano de 2008. A película é dirigida por Carlos Sorín, conhecido também por El perro e Historias Mínimas, que receberam boas cotações no IMDB.
A obra em questão começa com um sonho de um velhinho, que mora numa fazenda no interior da Argentina. É uma memória da infância, que lembra um episódio em que fora cuidado por uma babá, enquanto os pais davam uma festa no casarão. Daí se desenvolve a trama, durante apenas um dia, com o senhor se preparando para a chegada do filho. O herdeiro é pianista e mora na Europa e não visitava o pai há alguma hora.
Pra ti que tá mais acostumado com bandido e mocinho, nem perde o tempo. É um filme parado, em que a maior emoção é o velhinho se aventurando de pijama pelos hectares da fazenda. Por outro lado, se tu gosta de um clima nublado e, até certo ponto, bonitinho, vai fundo. O filme se desenrola devagar, lembra quando o cinema engantinhava em termos de efeitos especiais, e isso enriquece - pelo menos na minha visão. Se pensar em desistir no meio, não pára... o final é lindo.
A obra em questão começa com um sonho de um velhinho, que mora numa fazenda no interior da Argentina. É uma memória da infância, que lembra um episódio em que fora cuidado por uma babá, enquanto os pais davam uma festa no casarão. Daí se desenvolve a trama, durante apenas um dia, com o senhor se preparando para a chegada do filho. O herdeiro é pianista e mora na Europa e não visitava o pai há alguma hora.
Pra ti que tá mais acostumado com bandido e mocinho, nem perde o tempo. É um filme parado, em que a maior emoção é o velhinho se aventurando de pijama pelos hectares da fazenda. Por outro lado, se tu gosta de um clima nublado e, até certo ponto, bonitinho, vai fundo. O filme se desenrola devagar, lembra quando o cinema engantinhava em termos de efeitos especiais, e isso enriquece - pelo menos na minha visão. Se pensar em desistir no meio, não pára... o final é lindo.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
DRIVE
Drive (2011)
Fui atraído pelo canto da sereia. O trailer parece legal, a história também: motorista de fuga e dublê(na minha opinião as 2 profissões mais afudês do mundo) se envolve com as pessoas erradas ao tentar ajudar vizinha.
Que filme horroroso. Devo ser muito insensível para não achar a atuação de Ryan Gosling magnífica. Só pode ser que todas as críticas feitas a esse filme foram por mulheres ou gays, porque para elogiar o cara(nesse filme) precisa ser totalmente tendencioso.
Ele fala 3 frases o filme inteiro. Tá sempre com a mesma cara. Até o robozinho do Wall-E - ta não vou apelar - digo, o robo, que também é assassino, do Eu Robô tem mais expressão que ele. Além disso não há ação, as coisas parecem não fazer sentido. Repito: eu devo ser um insensível para não compreender.
Ajuda a vizinha. Dirige o carro em silêncio. Conquista a vizinha. Não fala nada. Começa a matar todo mundo. Anda de carro. Mata. Carro. Silêncio.
Filme de merda. A trilha sonora também não faz sentido. Mistura anos 80 com algumas clássicas. Tudo bem, a fotografia é excelente. Os efeitos sonoros são legais também, criam um clima de tensão. Lembra um pouco o Iluminado nesse sentido. Obvio, perde feio, mas lembra um pouco. A unica coisa boa sobre a história é a imprevisibilidade. A mudança no comportamento do personagem foi inesperada e bem vinda. A ultima coisa horrível que não posso deixar passar: a fonte usada. Por que aquele batom rosa?
Não entendo porque foi aclamado em Cannes e pela galerinha do cinema.
Chato pra cacete.
Fui atraído pelo canto da sereia. O trailer parece legal, a história também: motorista de fuga e dublê(na minha opinião as 2 profissões mais afudês do mundo) se envolve com as pessoas erradas ao tentar ajudar vizinha.
Que filme horroroso. Devo ser muito insensível para não achar a atuação de Ryan Gosling magnífica. Só pode ser que todas as críticas feitas a esse filme foram por mulheres ou gays, porque para elogiar o cara(nesse filme) precisa ser totalmente tendencioso.
Ele fala 3 frases o filme inteiro. Tá sempre com a mesma cara. Até o robozinho do Wall-E - ta não vou apelar - digo, o robo, que também é assassino, do Eu Robô tem mais expressão que ele. Além disso não há ação, as coisas parecem não fazer sentido. Repito: eu devo ser um insensível para não compreender.
Ajuda a vizinha. Dirige o carro em silêncio. Conquista a vizinha. Não fala nada. Começa a matar todo mundo. Anda de carro. Mata. Carro. Silêncio.
Filme de merda. A trilha sonora também não faz sentido. Mistura anos 80 com algumas clássicas. Tudo bem, a fotografia é excelente. Os efeitos sonoros são legais também, criam um clima de tensão. Lembra um pouco o Iluminado nesse sentido. Obvio, perde feio, mas lembra um pouco. A unica coisa boa sobre a história é a imprevisibilidade. A mudança no comportamento do personagem foi inesperada e bem vinda. A ultima coisa horrível que não posso deixar passar: a fonte usada. Por que aquele batom rosa?
Não entendo porque foi aclamado em Cannes e pela galerinha do cinema.
Chato pra cacete.
domingo, 3 de junho de 2012
Jodaieye Nader az Simin
A separação é um filme do Irã, de Asghar Farhadi, que faturou o Oscar de melhor estrangeiro em 2012. A trama tem como chave o fim do relacionamento entre Simin e Nader. O último se vê então obrigado a contratar uma jovem para cuidar do pai, portador de Alzheimer. A contratada, entretanto, está grávida e, além disso, trabalha sem o consentimento do esposo. Em cima disso, conflitos morais e religiosos sustentam a história.
Mais uma vez, assim como em Procurando Elly, o diretor iraniano executa um excelente trabalho. Todo clima criado em consequência do divórcio do casal e tudo que vem sobreposto torna a obra memorável. É com êxito que ele trabalha o dilema da diarista, que precisa dar banho em um idoso com Alzheimer, e não sabe se isso é ou não pecado, segundo o Corão. Também aborda a vida da adolescente, filha de Nader e Simin, que precisa arcar com a atmosfera sombria que envolve casamento, família e religião.
Outra questão interessante que vemos na obra é a abordagem da sociedade iraniana. Todos os dogmas religiosos que sustentam o país não impedem que lá se viva de uma maneira semelhante a nossa. O filme serve, sim, mais uma vez, para quebrar preconceitos bobos e criados falsamente.
Fazia já um tempo que eu queria ter visto, e sem dúvida valeu a pena. Recomendo mais uma vez Farhadi. Abram os olhos para o persa!
Mais uma vez, assim como em Procurando Elly, o diretor iraniano executa um excelente trabalho. Todo clima criado em consequência do divórcio do casal e tudo que vem sobreposto torna a obra memorável. É com êxito que ele trabalha o dilema da diarista, que precisa dar banho em um idoso com Alzheimer, e não sabe se isso é ou não pecado, segundo o Corão. Também aborda a vida da adolescente, filha de Nader e Simin, que precisa arcar com a atmosfera sombria que envolve casamento, família e religião.
Outra questão interessante que vemos na obra é a abordagem da sociedade iraniana. Todos os dogmas religiosos que sustentam o país não impedem que lá se viva de uma maneira semelhante a nossa. O filme serve, sim, mais uma vez, para quebrar preconceitos bobos e criados falsamente.
Fazia já um tempo que eu queria ter visto, e sem dúvida valeu a pena. Recomendo mais uma vez Farhadi. Abram os olhos para o persa!
sábado, 17 de março de 2012
Darbareye Elly
Muito em voga hoje está o cinema iraniano, após A separação, de Asghar Farhadi, vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro. Fui buscar em outra obra do mesmo diretor a qualidade da cinematografia do Irã.
Procurando Elly é um filme de 2009 que se passa em uma cidade litorânea próxima a Teerã. O enredo tem como foco Elly, uma moça de meia idade que vai passar um fim-de-semana em uma casa de praia com casais de amigos. Na viagem, está também Ahmad, o outro solteiro do grupo, iraniano que voltou ao país de origem após um tempo na Alemanha.
Desde o início, já é um filme interessante, mostrando o que particularmente eu não conhecia dos iranianos: casais de amigos passando dois dias na praia - comendo, bebendo, fumando narguilé, etc. Nada muito diferente do que acontece no Brasil (claro que com suas particularidades culturais), até quando aborda o sexismo - homens na varanda, mulheres na cozinha.
O clímax inicia quando Elly subitamente desaparece na praia. Daí adiante, uma confusão, envolvendo o pavor do acontecimento, atrelado a discussões carregadas pela própria cultura muçulmana, começa.
É um excelente filme, que vale a pena ser visto - ganhou um 8 no imdb. Não só desfaz preconceitos, como indiretamente abre os olhos para a questão do sexismo ocidental.
Procurando Elly é um filme de 2009 que se passa em uma cidade litorânea próxima a Teerã. O enredo tem como foco Elly, uma moça de meia idade que vai passar um fim-de-semana em uma casa de praia com casais de amigos. Na viagem, está também Ahmad, o outro solteiro do grupo, iraniano que voltou ao país de origem após um tempo na Alemanha.
Desde o início, já é um filme interessante, mostrando o que particularmente eu não conhecia dos iranianos: casais de amigos passando dois dias na praia - comendo, bebendo, fumando narguilé, etc. Nada muito diferente do que acontece no Brasil (claro que com suas particularidades culturais), até quando aborda o sexismo - homens na varanda, mulheres na cozinha.
O clímax inicia quando Elly subitamente desaparece na praia. Daí adiante, uma confusão, envolvendo o pavor do acontecimento, atrelado a discussões carregadas pela própria cultura muçulmana, começa.
É um excelente filme, que vale a pena ser visto - ganhou um 8 no imdb. Não só desfaz preconceitos, como indiretamente abre os olhos para a questão do sexismo ocidental.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Morgen
Morgen é um filme romeno (o segundo post seguido) de 2010, dirigido por Marian Crisan. Tem como personagem central Nelu, um homem de meia idade que vive em uma cidade fronteiriça entre a Romênia e a Hungria. Lá, conhece Behran, um turco que tenta atravessar as "fronteiras da União Européia (UE)" para chegar à Alemanha e encontrar a família.
O filme é seco, sem nenhum tipo de sentimentalismo; entretanto, não há como não se comover (há sim, mas eu confesso que me comovi) com a improvável amizade que surge entre os dois. A crítica velada às leis de fronteira da UE é inteligente e cumpre seu dever de chamar atenção.
Durante a obra, pouco importa o diálogo entre os personagens - até pela impossibilidade de comunicação pela fala; o que vale é a imagem, a situação criada, as atitudes. A câmera, muitas vezes imóvel, o que chega a angustiar, dá o tom duro da filmagem.
Uma película que vale a pena ser vista; um belo drama, que não abusa da pieguice. Ponto para o cinema romeno!
O filme é seco, sem nenhum tipo de sentimentalismo; entretanto, não há como não se comover (há sim, mas eu confesso que me comovi) com a improvável amizade que surge entre os dois. A crítica velada às leis de fronteira da UE é inteligente e cumpre seu dever de chamar atenção.
Durante a obra, pouco importa o diálogo entre os personagens - até pela impossibilidade de comunicação pela fala; o que vale é a imagem, a situação criada, as atitudes. A câmera, muitas vezes imóvel, o que chega a angustiar, dá o tom duro da filmagem.
Uma película que vale a pena ser vista; um belo drama, que não abusa da pieguice. Ponto para o cinema romeno!
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Üç Maymun
Filme turco, de 2008, Três Macacos concorreu pela Turquia à indicação de melhor filme estrangeiro, na premiação da Academia. O diretor é Nuri Bilge Ceylan - não conhecia nenhum filme do moço até então.
A película tem como cenário Istambul, e não explora as belezas da capital turca, mas a metrópole per se, a vida de uma família de classe média, o trânsito, o temporal. Esse é talvez o ponto forte da obra, o que me agradou.
Contam a história de um político que acaba atropelando um indivíduo com seu carro. Por estar em época de eleições, ele paga uma quantia tal a um funcionário para que ele se passe por culpado. O homem vai para a cadeia e aí começa a trama. O filho do cara é um gurizão na crise dos 20. Vai pra festas, briga, volta machucado, discute com a mãe, blá, blá, blá.
A esposa do homem começa a ter uma relação com o político, enquanto o pobre padece no chilindró. Aí entra a fábula chinesa dos "três macacos", que é mais ou menos o seguinte: se ninguém ouvisse, falasse ou enxergasse, o mundo seria uma maravilha. Também entra aí a parte ruim do filme: muito pesado e por vezes apelativo, peca muito, principalmente na condução do que poderia ter sido um enredo bem trabalhado.
A película tem como cenário Istambul, e não explora as belezas da capital turca, mas a metrópole per se, a vida de uma família de classe média, o trânsito, o temporal. Esse é talvez o ponto forte da obra, o que me agradou.
Contam a história de um político que acaba atropelando um indivíduo com seu carro. Por estar em época de eleições, ele paga uma quantia tal a um funcionário para que ele se passe por culpado. O homem vai para a cadeia e aí começa a trama. O filho do cara é um gurizão na crise dos 20. Vai pra festas, briga, volta machucado, discute com a mãe, blá, blá, blá.
A esposa do homem começa a ter uma relação com o político, enquanto o pobre padece no chilindró. Aí entra a fábula chinesa dos "três macacos", que é mais ou menos o seguinte: se ninguém ouvisse, falasse ou enxergasse, o mundo seria uma maravilha. Também entra aí a parte ruim do filme: muito pesado e por vezes apelativo, peca muito, principalmente na condução do que poderia ter sido um enredo bem trabalhado.
Talvez se ninguém ouvisse, falasse ou enxergasse, o filme seria bom. Não recomendo, não perde teu tempo.
sábado, 15 de outubro de 2011
Kamchatka
Eu já conhecia bastante coisa do cinema argentino antes de O Segredo de seus Olhos, mas é evidente que o país deu um passo gigantesco após o aclamado filme de Campanella. Minha namorada considera o melhor filme sulamericano já visto, quiçá mundial. Meu pai não esperava tanto, mas viu e achou espetacular. Assino embaixo a opinião dos dois.
A partir daí, fomos procurar mais de Ricardo Darín - herói argentino - e a produção de los hermanos, e encontramos Kamchatka, indicado pela Argentina ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2002. O diretor é Marcelo Piñeyro e conta sobre Harry ("Rári", em ispanglês), um menino que foge com os pais da cidade para uma casa de campo em virtude do Regime Militar.
É interessante a abordagem do filme: não se baseia em contar maus-tratos e perseguições durante a trágica época - fim da década de 70; e sim em fixar na figura do guri, mostrando como ele lida com a situação e suas intempéries.
Mais uma vez, é um filme sobre criança, mas não de. Tem uma fotografia belíssima, o elenco é excelente, embora o enredo não se compare ao de O Segredo de seus Olhos - comparação injusta, também. Fico feliz por termos um cinema latino de qualidade, embora nessa questão Maradona esteja a anos-luz de Pelé. Desculpa, Pablo.
A partir daí, fomos procurar mais de Ricardo Darín - herói argentino - e a produção de los hermanos, e encontramos Kamchatka, indicado pela Argentina ao Oscar de melhor filme estrangeiro de 2002. O diretor é Marcelo Piñeyro e conta sobre Harry ("Rári", em ispanglês), um menino que foge com os pais da cidade para uma casa de campo em virtude do Regime Militar.
É interessante a abordagem do filme: não se baseia em contar maus-tratos e perseguições durante a trágica época - fim da década de 70; e sim em fixar na figura do guri, mostrando como ele lida com a situação e suas intempéries.
Mais uma vez, é um filme sobre criança, mas não de. Tem uma fotografia belíssima, o elenco é excelente, embora o enredo não se compare ao de O Segredo de seus Olhos - comparação injusta, também. Fico feliz por termos um cinema latino de qualidade, embora nessa questão Maradona esteja a anos-luz de Pelé. Desculpa, Pablo.

















