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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

HEADHUNTERS

Adaptação do livro homônimo, o filme de 2011 conta a história de Roger Brown, um cara de 1.68m na Noruega, que trabalha como headhunter - recrutador de executivos. Roger, por ser baixinho e de origem humilde, sente necessidade de compensar, e faz isso através:
- do trabalho - é o melhor headhunter da Noruega, de reputação irretocável, nunca errou uma indicação. É excelente em leitura corporal, utiliza técnicas da polícia em suas entrevistas de emprego.
- da sua esposa Diana -  linda, rica, inteligente e mais alta que ele. Um troféu.
- dinheiro - para manter sua esposa, sua casa, seu carro, seu guarda roupa, a galeria de arte da mulher.
- seu cabelo - no livro, há várias menções sobre isso, enquanto o filme não se preocupa com esse detalhe.
Talvez eu tenha sido muito direto e dado a entender o contrário, mas Roger Brown ama sua mulher. Talvez não o suficiente para lhe dar o que ela realmente quer: um filho. Talvez também não ame suficiente para ser fiel: ele tem uma amante, Lotte.
Ao mesmo tempo, apesar de ser o melhor headhunter da Noruega, seu trabalho não é o suficiente para sustentar o estilo de vida que ele julga necessário, por isso, nas horas vagas ele rouba obras de arte. Para realizar esse trabalho, ele conta com a ajuda do diretor de uma empresa de segurança que, advinhe?, ele mesmo ajudou a selecionar para o cargo.

A história (que importa) começa quando Roger precisa indicar um candidato para o cargo de CEO de uma empresa de tecnologia chamada Pathfinder, porém ele não consegue encontrar o cara certo. Enquanto ele tem esse problema em mente, a galeria de arte da sua esposa terá uma exposição, e lá ele é apresentado, por ela mesma, a um sujeito chamado Clas Greve, aka Jamie Lannister. Eventualmente Roger Brown percebe que Greve não é um executivo como os que ele está acostumado a lidar. Ele foi da elite do exército holandês, especialista em rastrear, em "caçar" pessoas - um headhunter - e depois ascendeu profissionalmente ao topo de uma grande empresa de tecnologia. Em algum momento, Greve menciona a Brown que encontrou, no apartamento que herdou de sua tia, um quadro que se acreditava perdido, portanto conhecido somente através de livros de história, que poderia valer centenas de milhares de dólares.
Clas Greve parece que caiu do céu para Roger Brown: com uma indicação dele, a Pathfinder certamente contratará Greve e Brown ganhará um bom bônus. Conhecendo Greve um pouco mais, ele poderá conhecer o suficiente da sua rotina para planejar o roubo do quadro, que certamente resolverá sua necessidade de dinheiro. Aqui começa o filme Headhunters, que está mais para "Os homens que não amavam as mulheres" do que para "Thomas Crown - a arte do crime".

Se você gostou da história, minha primeira recomendação é o livro (link aqui), que é muito bem escrito, engraçado e viciante. Ok, pode ser que no começo você fique de saco cheio, mas vá em frente, porque é um ótimo suspense.
Se você não tem tempo ou paciência para isso, então assista ao filme. Somente se certifique de baixar uma legenda, porque, como já disse, é um filme norueguês. E preste muita, muita atenção, porque o ritmo é rápido e cada detalhe importa, acredite.
Qualquer um dos dois vale a pena, mas o livro vale muito, muito mais!!

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

MR ROBOT

MR ROBOT é uma série sobre Elliot, um engenheiro de sistemas/programador, que sofre de forte desconforto social. Não sei como descrever exatamente a personalidade do personagem principal, então vamos dizer que é um desconforto social mesmo. Ele praticamente não tem amigos, não gosta de ser tocado, não consegue manter uma conversa, não demonstra emoção, não expressa sentimentos. Ele é quase como um robô, mas não por causa dele que a série se chama Mr Robot - pelo é o que podemos deduzir até o episódio 05 da temporada 01. 
Não significa que ele não tenha sentimentos, é que ele não expressa nada na interação social, mas através do computador ele é muito mais ativo. Ele usa seu conhecimento para hackear as pessoas ao seu redor, como sua psiquiatra, por exemplo, e descobrir tudo sobre elas. É assim que ele forma empatia, ou não.
Exatamente pelo seu talento como hacker, ele é contatado por um "mendigo" misterioso, até agora sem nome(Ep05 Temp01), que Elliot chama de Mr Robot, porque é isso que está escrito na sua camiseta. Mr Robot, que é um anarquista, tenta levar Elliot para o seu time de hackers, chamado FSociety, para derrubar um conglomerado, ou holding, enorme chamado E Corp. Não se engane, o nome da empresa não é Evil Corp. No primeiro episódio o Elliot disse que conseguiu programar o seu cérebro para sempre ler, ouvir e falar Evil Corp. E isso é uma dica enormemente sutil sobre o seriado, eu acho.

Por enquanto há uma porção de enredos e personagens ainda em formação, portanto é bem difícil dizer para onde a série está caminhando. De qualquer forma, podemos dizer que até então o tema está em Elliot sucumbir ou não à filosofia anarquista do Mr Robot, para quem, aparentemente, os fins justificam os meios. Na linha de Breaking Bad e tantos outros shows atuais, parece haver uma preocupação em construir os personagens de uma forma equilibrada, sem coloca-los no rótulo de vilão ou herói, mas fornecer uma história e justificativas para suas ações. 
Pera aí, só pra deixar claro: não estou comparando Mr Robot com Breaking Bad! Por enquanto Heinsenberg > Elliot. 
Apenas por enquanto, porque até o presente episódio, Mr Robot já tem nota 9,2 no IMDB. 


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Numa Fria (Thin Ice)

O filme se passa no meio do nada, no norte dos EUA, naquelas cidades geladas, onde todo mundo se conhece e ninguém tranca a porta de casa. Um corretor de seguros meio falcatrua chamado Mickey  se encontra em dificuldades financeiras. 
Através de um outro corretor, Mickey consegue um novo cliente: o fazendeiro aposentado Gorvy. O senhor de idade, já meio senil, estabelece um relacionamento estranho com o seu corretor, pedindo que o leve no banco, que arrume sua televisão, etc. Mickey já não tem paciência pra isso, e está prestes a despachar o velhote para outro corretor. Teria feito isso, se não fosse a descoberta de um violino raro no meio das tralhas do velho Gorvy. 
A partir daí, como é de se esperar, o corretor, que até então era apenas meio falcatrua, acaba se tornando um criminoso, e que por uma série de eventos mal planejados, se vê na companhia de outro criminoso, bem mais experiente e desequilibrado que ele.


Não é um filme daqueles imperdíveis, mas é totalmente recomendável. 

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Rostos na Multidão

Fazia tempo que eu não assistia uma porcaria assim. Pelos primeiros 5 minutos pode até parecer um bom filme, mas não se engane: você está diante de algo muito mal feito.

Rostos na Multidão é um suspense policial com o tema da busca pelo criminoso. Clássico... Contudo, ao invés do assassino ser daquele tipo gênio, que está sempre 10 passos à frente da polícia, nesse filme a caçada se torna complicada por causa da testemunha. É que a moça que presencia o crime, acaba por sofrer um trauma que a impossibilita de reconhecer rostos. Cada vez que ela olha para alguém é como se estivesse conhecendo pela primeira vez. Vale pra qualquer pessoa: suas amigas, seu namorado, seu pai. É com essa testemunha que a polícia precisa lidar, pois é a única que pode ajudar a prender um serial killer.

Embora a premissa seja interessante, a execução é péssima. Atriz principal terrível, por algum motivo sempre sussurrando. Roteiro muito mal feito, sempre empurrando o confronto entre os personagens, o que inevitavelmente acabaria com a história em 20 minutos. Ambientação ridícula, até os cenários das novelas da globo são melhores. A revelação do criminoso é bastante previsível, caso você já tenha assistido alguns filmes desse tipo. Enfim, não perca seu tempo... a não ser que queira passar 1 hora e pouco ficando bravo com a televisão.

Se você gostou da ideia de um suspense com um personagem sem memória, nós recomendamos Amnésia, ou "Memento". Esse sim, um baita filme. Inclusive, temos uma review dele.

terça-feira, 6 de maio de 2014

El Metodo

Um filme espanhol de 2005 chamado El Metodo.  A história é toda baseada em uma entrevista de emprego. O cenário é inteiro uma sala de reuniões. O número de personagens é 8. Parece que estou fazendo o contrário de convencer vocês a assistir o filme. Contudo, pensa: o que sobra quando o elenco, cenário e histórias paralelas são reduzidos a quase nada? O roteiro!
São 7 candidatos a uma vaga de executivo em um banco espanhol (acho que é um banco, não importa muito). Estão todos na sala aguardando a pessoa que irá conduzir essa entrevista em grupo. Não chega ninguém. Eles são especificamente obrigados a assinar um contrato assumindo que aceitam o método Gronholm de seleção - que ninguém sabe o que de fato é.
Os candidatos então são avisados que entre eles está o executivo do RH. Eles precisam descobrir quem ele é. A partir daí começam os jogos de seleção (alguns bastante típicos de RH) em que acabam por eliminar uns aos outros. Então, ao mesmo tempo que precisam descobrir quem é o executivo do RH, precisam permanecer na disputa. Genial ou maligno?

Já falamos aqui no blog sobre esse tipo de mistério (ver posts "E não sobrou nenhum - Family Guy", "Assassinato em Gosford Park" e "Os homens que não amavam as mulheres"). Não sei muito bem se tem um nome pra isso, mas estão todos os suspeitos num quarto, cabendo aos mesmos descobrir quem é de fato o assassino. Bem, nesse caso o assassino é o cara do RH.
Além disso, ao invés de simplesmente "matar" - nesse caso está mais para dispensar - os outros personagens, o infiltrado os força a participar de jogos. Jogos de eliminação. Me parece até um pouco com Jogos Mortais, mas só um pouquinho mais sutil. Bem pouco.

Os personagens e o cenário. Quem vocês acham que é o infiltrado?
É um roteiro cheio de argumentações em lógicas circulares, inversões na história e blefes duplos. Põe o tempo em cheque o certo e o errado, uma vez que seguindo um caminho, posso prejudicar meu concorrente. Mas seria isso o mais ético? Ao mesmo tempo, se eu não assim fizer, estarei baixando minha guarda? Se o meu concorrente estivesse na minha situação, o que ele faria? E o que será que a empresa espera de mim? Estou sendo agressivo demais? Ou não agressivo suficiente?
Participar dessas entrevistas de emprego não é nada fácil. Adicione a isso o cenário econômico espanhol da época - inclusive retratado no filme. Não está fácil pra ninguém. Espanha em crise. Desemprego elevado. Não tá fácil pra ninguém. E ai, o que tu faz?

Certamente se você já passou por uma, irá se identificar. Se nunca, assiste. É sensacional.



Se tu gostou, tem o filme inteiro AQUI legendado em portugês mesmo.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Hombre de Al Lado

Mais uma vez, os argentinos me comovem - não é a toa que eu acho Maradona dez vezes mais brilhante que Pelé. Não só eu, todos os sensatos. Mas vamos ao que interessa.
Le Corbusier foi um cultuado arquiteto/urbanista francês que, em viagem a Argentina, ajudou a erguer uma casa em La Plata, na província de Buenos Aires. É lá que se passa a história. Agora a ficção...
Filme de 2009, O Homem ao Lado começa com Leonardo, designer e chato, sendo acordado por ruídos de uma obra. Levantando a persiana, eis: uma janela sendo erguida com vista para sua casa. O mandante do "crime" é Victor, típico argentino malandro, que diz querer aproveitar os raios de sol que antes não lhe davam as caras. Aí começa o pesadelo do morador da residência de Corbusier.
O vizinho assusta, de início, pelo tipo rudo, e Leonardo, que vive com a esposa e a filha, tenta de todas as maneiras impedir a obra do homem. Todavia, sempre com precaução, o medo também começa a tomar conta da psiqué do chato... medo que se transforma em paranoia. Do meio do filme em diante (e pode ler mesmo não tendo visto), digamos que a trama mocinho-bandido vira e dá outra conotação ao enredo. Bem mais interessante, por sinal.
É uma bela obra, que, infelizmente, quase se restringe a um único cenário: casa e arredores. O jogo psicológico entre os dois homens é demasiado inteligente e faz pensar a respeito de preconceitos tolos. Vale a olhada, cabrón.





domingo, 23 de junho de 2013

SHERLOCK

Já faz um bom tempo estou assinando Netflix.
Inicialmente fiquei empolgado pela quantidade absurda de titulos que lá estão disponíveis. Separados por categoria, filtro de diretor e ator. Recomendados pelo histórico de já assistidos. Recomendados pela avaliação do usuário. Ao passar do tempo fui percebendo que a grande maioria data de 2 anos ou mais atrás. Assim, dá pra dizer que muitos dos recomendados para mim, eu já assisti. Mas ainda vale pena, porque volta e meia aparece um daquele tipo: "é mesmo! esqueci que esse filme existia!" ou então alguns que até então eram desconhecidos mesmo. Tipo SHERLOCK.
Fiquei um pouco surpreso de não conhecer, já que gosto bastante dos livros e dessas coisas de misterio policiais em geral.

Nesse caso é uma série de televisão, não uma série de filmes. Gosto bastante das novas do Guy Ritchie e do R.D.Jr, mas essa é bem diferente por causa de só 1 detalhe: se passa nos dias atuais.
Fora esse detalhe, é tudo igual. Sherlock e Watson. Moram em Baker Street. Tem o inspetor Lestrade também. Sherlock deduz tudo e mais um pouco em 1 segundo. Watson manca.
Só que tudo isso num ambiente moderno.
Confesso que ainda não assisti tudo, mas fiquei tão empolgado que resolvi postar antes de ter uma avaliação total. Sherlock (2010– ) on IMDb

domingo, 25 de novembro de 2012

The Ghost Writer

O bom do Polanski (Roman) é tu ver os trabalhos dele e não saber que são dele. O cara mexe com terror, drama, suspense, etc, e mantém a qualidade e a peculiaridade de cada qual. E todos se saem bem no final.
O Escritor Fantasma é de 2010 e fala sobre um bom escritor britânico que aceita ser o "fantasma" de um político, ex-primeiro ministro da Grã-Bretanha. O mocinho é vivido por Ewan McGregor, que junto com Edward Norton, são os dois mestres do cinema de agora (sem discussão). O vilão, como sempre o político, tem no eterno Pierce Brosnan uma boa figura.
Se passa em Londres e nos Estados Unidos, embora pareça que o filme nunca saia da Inglaterra. Frog! Não é baseado exatamente em fatos reais, mas cai bem pra abordar o momento atual da política globalizada: escândalos, guerras, mentiras e traições - atual? A história do mundo!
Gostei do filme. Me lembrou por certos momentos Fair Game : talvez pela política, talvez pelo desfecho, mas, independente, uma boa lembrança. O Escritor Fantasma não tem nada de espetacular, mas é bem interessante, valendo teu tempo. O final toca bastante; a cena, embriagada pela "depressão atmosférica londrina" fecha com sinceridade a obra e, creio, explicita a mensagem que Polanski que queria ter passado: não te mete com o poder, mesmo que tu ache que possa vir a tê-lo!

domingo, 21 de outubro de 2012

Fair Game

Torta de realidade!
Eu já gostava do Sean Penn; depois dessa, o cara tem que ficar mais fã ainda. Como adendo, a brilhante participação de Naomi Watts alça o filme a condição de "muito bom". Estou falando de Jogo de Poder, obra norte-americana de 2010, dirigida por Doug Liman.
Baseada em fatos reais, e tendo como eixo o Caso Plame-Wilson, conta um episódio tenso e polêmico da política dos Estados Unidos da América (e do Mundo). Versa sobre a divulgação de Valerie Plame como agente-secreta da CIA; fato colocado por muitos como vingança a um artigo (ei-lo) escrito por seu marido, Joe Wilson, ex-embaixador dos Estados Unidos na África. Nele, Wilson contesta a versão da Casablanca de que o Níger havia vendido urânio ao Iraque para que o último produzisse armas nucleares.
Contado quase como um documentário, o filme é fugaz, mas não deixa de criar uma atmosfera quase de suspense. "Quase" porque talvez Doug Liman tenha passado do ponto em produzir um meio-documentário, meio-romance, pecando na condução da obra como um filme mesmo. Mesmo assim, consegue te fixar na tela e faz tua indignação contra o ex-presidente Bush e seus partidários se engrandecer. Mais pro fim, o tom romântico, após a reviravolta imposta a vida do casal Wilson, enriquece o enredo sem ser sentimentalista demais.
Apesar dos pesares, é um filme obrigatório. Não tanto pela qualidade, embora Sean Penn e Naomi Watts matem a pau; mais pelo tema em questão e as vicissitudes de Bush filho, pai, e turminha. Te enriquecerá, certamente. Não deixa de ver! E, no fim, bate palmas pra Joe Wilson e Valerie Plame. De pé!

sábado, 8 de setembro de 2012

Cassandra's Dream

O Sonho de Cassandra é de 2007 e talvez seja um dos menos aclamados filmes de Woody Allen, quiça um dos mais criticados. Não sei se merece tantos deselogios.
Conta a história de dois irmãos, intepretados pelos excelentes Ewan McGregor (Ian) e Colin Farrell (Terry). Os dois, moradores de um subúrbio de Londres, "embriagados" em problemas financeiros, tentam se sobressair de maneira diferente: o primeiro, através de um duvidoso negócio envolvendo hotéis na Califórnia, e o segundo, pelo jogo e apostas. Terry, casado, afundado no álcool e contraindo dívidas, é mais perturbado mentalmente; Ian, inicialmente mais frio e parcialmente equilibrado, conhece uma atriz de teatro, o que ativa ainda mais o sonho de se mudar para os Estados Unidos.
Então, recebem a visita do tio Howard, um milionário proprietário de uma clínica de cirurgia plástica que mora na China. A partir daí, o jogo muda, com ambos se envolvendo em um esquema ainda mais arriscado.
O cinza londrino contribui com a atmosfera sombria que se instala desde a chegada do médico e dá um charme a condução do enredo. Não sei porque, mas algo, talvez o acinzentado ou a tensão e a intensidade dos conflitos tratados, me lembrou muito Sobre Meninos e Lobos. Não é um filme tão bom quanto o de Clint Eastwood (já é uma heresia querer comparar), mas tampouco se torna uma obra merecedora de tantas críticas. Vale a olhada!

domingo, 29 de abril de 2012

O Grande Truque

*** CONTEM SPOILERS *** *** CONTEM SPOILERS *** *** CONTEM SPOILERS ***

O Grande Truque (The Prestige, 2006) é mais uma prova de que Christopher Nolan é um baita diretor. 
O filme é um suspense sobre 2 mágicos, antes amigos e parceiros, em uma disputa por quem tem o melhor truque, justificada por egos feridos. Os dois mágicos são Christian Bale e Hugh Jackman. 
A amizade acaba quando a esposa do Wolverine, que era assistente do mágico "tutor" dos dois, morre em um truque, supostamente por culpa do Batman. Então eles seguem carreira solo e o negócio segue da seguinte forma: um faz um truque impressionante, o outro descobre e faz de tudo pra arruinar. Assim vai até a hora que Batman começa com o seu Homem Transportado e enlouquece Wolverine, pois o truque é sensacional e aparentemente inimitável. Cada um dos mágicos conta com um engenheiro, que é quem ajuda na criação dos truques. Wolverine tem Michael Caine e Batman tem o misterioso Falon.

Pulando daí para o final, Wolverine consegue imitar sim o truque, porem a meu ver, não foi satisfatório. Me parece um enjambre.  A justificativa de como o Batman fazia seu truque, isso sim foi muito bom, o verdadeiro truque desse filme. 



Dito isso, sobre atuação, figurino, fotografia e essas coisas, o filme está de parabéns. A começar pelo elenco: os dois já mencionados, Michael Caine, Rebecca Hall(a Vicky ou a Cristina daquele filme em Barcelona)Scarlett Johansson(a Vicky ou a Cristina daquele filme em Barcelona) e David Bowie!!!! O figurino e a ambientação são mito bem feitas, pois eu como conheço muito da Inglaterra do fim do século 19 posso afirmar. A fotografia é muito bem trabalhada, dá para ver que foi colocado muito esforço nisso.
Recomendo muito essa película, goste de mágica ou não. Baita filme!
(LA VEM O SPOILER) 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ils

Eles é um filme francês dirigido por David Moreau e Xavier Palud, cuja história se passa na Romênia em meados de 2002. Em um subúrbio de Bucareste, capital daquele país, mora um casal francês: Clémentine, professora, e Lucas, escritor. Numa noite aparentemente comum, coisas estranhas começam a acontecer no casarão: cortam a luz, a tv liga e desliga, bem como o som, ligações anônimas chegam, etc.
O filme é um suspense tenso do início ao fim, não dá pra respirar! O ambiente - casa, campo, árvores, escuridão - auxilia muito na atmosfera sombria, já que não há nada de efeitos especiais. Cada minuto que passa é um sufoco, e o final é bem interessante e surpreendente.
O que assusta ainda mais é o fato de que a obra foi inspirada em eventos reais, que aconteceram na Romênia no início da década. Procurei depois na internet sobre, mas encontrei muito pouco. Assistam! E avisem se encontrarem alguma coisa.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

os homens que não amavam as mulheres


Originalmente chamado de "The girl with the dragon tattoo" e mais originalmente ainda chamado de "Män som hatar kvinnor" esse é o primeiro livro que virou filme da trilogia Millenium, escrita por Stieg Larsson.
O primeiro livro foi lançado em 2008 e aparentemente virou best seller rapidamente. Me foi recomendada a trilogia no final de 2010, o que veio a calhar no amigo secreto de final de ano. O primeiro livro eu engoli inteiro, mal mastiguei. É uma ficção policial rápida e instigante. A estrutura do mistério é clássica: um desaparecimento ocorreu há décadas em um ambiente fechado, tornando todos os presentes em suspeitos do crime. O ambiente é na realidade uma ilha pertencente a uma riquíssima, problemática e desestruturada família sueca. Não vou me estender sobre a história, afinal já existe o livro, um filme e agora sairá sua versão hollywoodiana.
Creio que no primeiro livro a palavra de definição seja suspense. Tanto a respeito do desaparecimento e  quanto em relação aos personagens. Quem diabos é Lisbeth Salander e como ela sempre sabe de tudo? O que tem de errado com os Wanger? Pq o Mikael Blomkvist pega todo mundo?
O segundo e terceiro livros são definidos pela palavra enrolação. Me decepcionaram demais. Confesso que nem terminei o terceiro. O segundo já desceu quadrado, tive que me forçar, não era uma leitura muito prazerosa. Pra mim ficou evidente que o sucesso engrandeceu os olhos da editora, que forçou o autor a produzir mais. Obviamente ninguém ser genial o tempo todo, nem Stieg Larsson, nem Stephen King e nem Ronaldinho "Gaúcho".
OK, sobre os atores. Aqui é há um ponto de análise interessante. A versão americana apostou no novo Bond, o homem do pior sorriso do mundo, Daniel Craig como e protagonista. Deixaram a Salander de lado, um talento novo e que nem é tão bonita e pelo visto se esforçaram para enfeia-la. Na versão sueca Mikael Blomkvist é horrivelmente feio, Lisbeth tem bastante charme, para alguem com estilo tão peculiar.
Estou curioso para ver se o know-how dos americanos vai conseguir melhorar a trama, que por ja ter lido o livro saber tudo de antemão, achei meio corrida na primeira versão. Senti que se eu estivesse absorvendo tudo pela primeira vez talvez ficasse um pouco perdido.
Para quem gosta de ficção policial, suspense e um pouco de ação é uma boa dica!

PS: qual Lisbeth tu preferes?
                            
Sueca
Americana

domingo, 4 de setembro de 2011

Das weiße Band, Eine deutsche Kindergeschichte

Filmado totalmente em preto e branco - se fosse colorido, não teria o mesmo valor, A Fita Branca, de 2010, se ambienta em um vilarejo alemão no início do século passado, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial. Nele, a vida dos habitantes transcorre "normalmente", sob a tutela do conservadorismo e do fanatismo religioso. Acontecimentos estranhos então abalam toda a comunidade.



Nem tempo, nem local são os mesmos. Entretanto, se vê nítida uma relação (não conexão) entre os dois últimos trabalhos de Haneke. O diretor soube como abordar, tanto Caché quanto em A Fita Branca, o comportamento do homem em situações de difícil lida. Mais uma vez, o clímax é o próprio enredo, e não os cinco minutos finais. Isso pode até deixar alguns espectadores revoltados, mas dá mais sentido ainda a obra.
O austríaco teve êxito também em mostrar o quanto somos influenciáveis pelo meio, seja ele a comunidade ou a família, e o quanto isso pode vir a trazer conseqüências drásticas. Naturalismo puro! O que será das crianças no futuro? Certo ou errado, a jogada foi sensacional.
Venceu Cannes 2010. Sem reparos. Pra mim, esse sim, o melhor da década.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Caché

“Caché”, de 2005, se passa na década passada, em uma cidade francesa. O filme inicia com um apresentador de programa de televisão, Georges, e a esposa analisando uma fita de vídeo. Nela, uma câmera parada mostra a casa do casal sendo vigiada. Depois, além de outras filmagens, recebem envelopes contendo desenhos que aterrorizam marido e mulher. As ilustrações fazem o personagem principal tentar voltar ao passado na busca de uma explicação para o acontecimento. A partir daí, e muito devido ao pânico que se instala após as cartas, Georges começa a viver um conflito familiar. Não só no que tange o casamento em si, mas também na sua relação com o filho.
Haneke soube como abordar não só o comportamento do homem em situações de difícil lida. Teve êxito também em mostrar, como cenário, a sociedade francesa e seus dogmas e recalques contemporâneos. Quem conhece o diretor sabe que o plano de fundo é como o gran finale das produções de Hollywood. É a razão da obra.
Aqui escrevendo, lembrei de Onde os fracos não tem vez (de Hollywood, por sinal). A cena da moeda, em que Chigurh, no cara e coroa, indaga um vendedor se ele não passou a vida inteira apostando. Pois então, chega o momento no filme de Haneke em que não se trata de descobrir quem é o responsável pelos atos, e sim de analisar a “vítima”. Não é ele tão culpado quanto o “vilão”? Não passou Georges a vida inteira “apostando”?
Foi eleito pela Times o melhor filme da década. Não acho que tenha sido, mas vale a pena. Pode apostar!