domingo, 8 de julho de 2012

La Ventana

É fato que o cinema argentino me chama atenção. Não sei se pela atmosfera sombria, diferente do ensolarado Brasil, como contraponto; não importa, gosto dez vezes mais de nuvem do que de sol. Bobagem, estou falando agora de A janela, filme pampeano de 2008. A película é dirigida por Carlos Sorín, conhecido também por El perro e Historias Mínimas, que receberam boas cotações no IMDB.
A obra em questão começa com um sonho de um velhinho, que mora numa fazenda no interior da Argentina. É uma memória da infância, que lembra um episódio em que fora cuidado por uma babá, enquanto os pais davam uma festa no casarão. Daí se desenvolve a trama, durante apenas um dia, com o senhor se preparando para a chegada do filho. O herdeiro é pianista e mora na Europa e não visitava o pai há alguma hora.
Pra ti que tá mais acostumado com bandido e mocinho, nem perde o tempo. É um filme parado, em que a maior emoção é o velhinho se aventurando de pijama pelos hectares da fazenda. Por outro lado, se tu gosta de um clima nublado e, até certo ponto, bonitinho, vai fundo. O filme se desenrola devagar, lembra quando o cinema engantinhava em termos de efeitos especiais, e isso enriquece - pelo menos na minha visão. Se pensar em desistir no meio, não pára... o final é lindo.



quinta-feira, 7 de junho de 2012

DRIVE

Drive (2011)

Fui atraído pelo canto da sereia. O trailer parece legal, a história também: motorista de fuga e dublê(na minha opinião as 2 profissões mais afudês do mundo) se envolve com as pessoas erradas ao tentar ajudar vizinha.
Que filme horroroso. Devo ser muito insensível para não achar a atuação de Ryan Gosling magnífica. Só pode ser que todas as críticas feitas a esse filme foram por mulheres ou gays, porque para elogiar o cara(nesse filme) precisa ser totalmente tendencioso.

Ele fala 3 frases o filme inteiro. Tá sempre com a mesma cara. Até o robozinho do Wall-E - ta não vou apelar - digo, o robo, que também é assassino, do Eu Robô tem mais expressão que ele. Além disso não há ação, as coisas parecem não fazer sentido. Repito: eu devo ser um insensível para não compreender.
Ajuda a vizinha. Dirige o carro em silêncio. Conquista a vizinha. Não fala nada. Começa a matar todo mundo. Anda de carro. Mata. Carro. Silêncio.
Filme de merda. A trilha sonora também não faz sentido. Mistura anos 80 com algumas clássicas. Tudo bem, a fotografia é excelente. Os efeitos sonoros são legais também, criam um clima de tensão. Lembra um pouco o Iluminado nesse sentido. Obvio, perde feio, mas lembra um pouco. A unica coisa boa sobre a história é a imprevisibilidade. A mudança no comportamento do personagem foi inesperada e bem vinda. A ultima coisa horrível que não posso deixar passar: a fonte usada. Por que aquele batom rosa?

Não entendo porque foi aclamado em Cannes e pela galerinha do cinema.

Chato pra cacete.

domingo, 3 de junho de 2012

Jodaieye Nader az Simin

A separação é um filme do Irã, de Asghar Farhadi, que faturou o Oscar de melhor estrangeiro em 2012. A trama tem como chave o fim do relacionamento entre Simin e Nader. O último se vê então obrigado a contratar uma jovem para cuidar do pai, portador de Alzheimer. A contratada, entretanto, está grávida e, além disso, trabalha sem o consentimento do esposo. Em cima disso, conflitos morais e religiosos sustentam a história.
Mais uma vez, assim como em Procurando Elly, o diretor iraniano executa um excelente trabalho. Todo clima criado em consequência do divórcio do casal e tudo que vem sobreposto torna a obra memorável. É com êxito que ele trabalha o dilema da diarista, que precisa dar banho em um idoso com Alzheimer, e não sabe se isso é ou não pecado, segundo o Corão. Também aborda a vida da adolescente, filha de Nader e Simin, que precisa arcar com a atmosfera sombria que envolve casamento, família e religião.
Outra questão interessante que vemos na obra é a abordagem da sociedade iraniana. Todos os dogmas religiosos que sustentam o país não impedem que lá se viva de uma maneira semelhante a nossa. O filme serve, sim, mais uma vez, para quebrar preconceitos bobos e criados falsamente.
Fazia já um tempo que eu queria ter visto, e sem dúvida valeu a pena. Recomendo mais uma vez Farhadi. Abram os olhos para o persa!