Muito em voga hoje está o cinema iraniano, após A separação, de Asghar Farhadi, vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro. Fui buscar em outra obra do mesmo diretor a qualidade da cinematografia do Irã.
Procurando Elly é um filme de 2009 que se passa em uma cidade litorânea próxima a Teerã. O enredo tem como foco Elly, uma moça de meia idade que vai passar um fim-de-semana em uma casa de praia com casais de amigos. Na viagem, está também Ahmad, o outro solteiro do grupo, iraniano que voltou ao país de origem após um tempo na Alemanha.
Desde o início, já é um filme interessante, mostrando o que particularmente eu não conhecia dos iranianos: casais de amigos passando dois dias na praia - comendo, bebendo, fumando narguilé, etc. Nada muito diferente do que acontece no Brasil (claro que com suas particularidades culturais), até quando aborda o sexismo - homens na varanda, mulheres na cozinha.
O clímax inicia quando Elly subitamente desaparece na praia. Daí adiante, uma confusão, envolvendo o pavor do acontecimento, atrelado a discussões carregadas pela própria cultura muçulmana, começa.
É um excelente filme, que vale a pena ser visto - ganhou um 8 no imdb. Não só desfaz preconceitos, como indiretamente abre os olhos para a questão do sexismo ocidental.
sábado, 17 de março de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O Artista
Acho que não vou assistir esse filme, mesmo que seja o nome
do Oscar de 2012.
Estou imaginando um cenário: e se eu gosto desse filme? Vou
começa a falar pros outros que um filme preto e branco, mudo e francês realmente
mereceu ganhar. É o primeiro passo para se tornar um Zé Wilker, o símbolo do
crítico insuportável. Nada contra ele, até realmente parece ser
gente boa, mas vamos usar aqui o seu nome para essa figura: o chato oficial. Não
será mais possível discutir nada sobre cinema com essa pessoa. É o cara que não
aprova nada que foi feito recentemente, e quando surge algo bom, ele
desaprova a fotografia, a montagem, a atuação dos personagens mais coadjuvantes que o próprio coadjuvante. As referências dele não estão nem na lista dos
250 no imdb, que provavelmente vai dizer que são influenciados pela opinião
da massa. Chato, pretensioso, se acha. É aquele cara que vê coisas no filme
que ninguem jamais enxergaria. Por exemplo, assiste Beleza Americana e critica
a nova geração em sua negação das gerações antigas, ah, e ainda fala sobre o
pós guerra. Sempre tem um pós guerra no negócio. É tipo aquele cara que entende
muito de vinho e acaba sempre bebendo sozinho. Abaixo um diálogo fictício
entre um Zé Wilker e uma pessoa qualquer:
Pessoa Normal:
- Cara, comédia boa é Se Beber Não Case.
Zé Wilker
- Discordo. A comédia para mim nasceu e morreu com Chaplin.
O resto é tudo
Casseta e Planeta.
Pessoa Normal:
- Porra, então um thriller animal, Cisne Negro.
Zé Wilker
- Psicose, o original, no máximo. Ainda que a atuação esteja
um pouco crua. (os Zé Wilker adoram usar palavras assim pra descrever as
coisas)
Pessoa Normal
- Ah, cara, então um suspense bom aí pra ti que gosta dos
clássicos, Sexto Sentido.
Zé Wilker
- Acho que vc é realmente um neófito, pois esse filme a que
vc se refere faria Hitchcock revirar-se no túmulo.
Pessoa Normal
- Ah vai se fude, vai pro inferno. Vai no cinema sozinho,
seu psicopata.
É, acho que não vou assistir O Artista.
(Quem quiser ler uma crítica séria de um Zé Wilker pode clicar AQUI)
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Morgen
Morgen é um filme romeno (o segundo post seguido) de 2010, dirigido por Marian Crisan. Tem como personagem central Nelu, um homem de meia idade que vive em uma cidade fronteiriça entre a Romênia e a Hungria. Lá, conhece Behran, um turco que tenta atravessar as "fronteiras da União Européia (UE)" para chegar à Alemanha e encontrar a família.
O filme é seco, sem nenhum tipo de sentimentalismo; entretanto, não há como não se comover (há sim, mas eu confesso que me comovi) com a improvável amizade que surge entre os dois. A crítica velada às leis de fronteira da UE é inteligente e cumpre seu dever de chamar atenção.
Durante a obra, pouco importa o diálogo entre os personagens - até pela impossibilidade de comunicação pela fala; o que vale é a imagem, a situação criada, as atitudes. A câmera, muitas vezes imóvel, o que chega a angustiar, dá o tom duro da filmagem.
Uma película que vale a pena ser vista; um belo drama, que não abusa da pieguice. Ponto para o cinema romeno!
O filme é seco, sem nenhum tipo de sentimentalismo; entretanto, não há como não se comover (há sim, mas eu confesso que me comovi) com a improvável amizade que surge entre os dois. A crítica velada às leis de fronteira da UE é inteligente e cumpre seu dever de chamar atenção.
Durante a obra, pouco importa o diálogo entre os personagens - até pela impossibilidade de comunicação pela fala; o que vale é a imagem, a situação criada, as atitudes. A câmera, muitas vezes imóvel, o que chega a angustiar, dá o tom duro da filmagem.
Uma película que vale a pena ser vista; um belo drama, que não abusa da pieguice. Ponto para o cinema romeno!

