A separação é um filme do Irã, de Asghar Farhadi, que faturou o Oscar de melhor estrangeiro em 2012. A trama tem como chave o fim do relacionamento entre Simin e Nader. O último se vê então obrigado a contratar uma jovem para cuidar do pai, portador de Alzheimer. A contratada, entretanto, está grávida e, além disso, trabalha sem o consentimento do esposo. Em cima disso, conflitos morais e religiosos sustentam a história.
Mais uma vez, assim como em Procurando Elly, o diretor iraniano executa um excelente trabalho. Todo clima criado em consequência do divórcio do casal e tudo que vem sobreposto torna a obra memorável. É com êxito que ele trabalha o dilema da diarista, que precisa dar banho em um idoso com Alzheimer, e não sabe se isso é ou não pecado, segundo o Corão. Também aborda a vida da adolescente, filha de Nader e Simin, que precisa arcar com a atmosfera sombria que envolve casamento, família e religião.
Outra questão interessante que vemos na obra é a abordagem da sociedade iraniana. Todos os dogmas religiosos que sustentam o país não impedem que lá se viva de uma maneira semelhante a nossa. O filme serve, sim, mais uma vez, para quebrar preconceitos bobos e criados falsamente.
Fazia já um tempo que eu queria ter visto, e sem dúvida valeu a pena. Recomendo mais uma vez Farhadi. Abram os olhos para o persa!
Mostrando postagens com marcador Oscar 2012. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oscar 2012. Mostrar todas as postagens
domingo, 3 de junho de 2012
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O Artista
Acho que não vou assistir esse filme, mesmo que seja o nome
do Oscar de 2012.
Estou imaginando um cenário: e se eu gosto desse filme? Vou
começa a falar pros outros que um filme preto e branco, mudo e francês realmente
mereceu ganhar. É o primeiro passo para se tornar um Zé Wilker, o símbolo do
crítico insuportável. Nada contra ele, até realmente parece ser
gente boa, mas vamos usar aqui o seu nome para essa figura: o chato oficial. Não
será mais possível discutir nada sobre cinema com essa pessoa. É o cara que não
aprova nada que foi feito recentemente, e quando surge algo bom, ele
desaprova a fotografia, a montagem, a atuação dos personagens mais coadjuvantes que o próprio coadjuvante. As referências dele não estão nem na lista dos
250 no imdb, que provavelmente vai dizer que são influenciados pela opinião
da massa. Chato, pretensioso, se acha. É aquele cara que vê coisas no filme
que ninguem jamais enxergaria. Por exemplo, assiste Beleza Americana e critica
a nova geração em sua negação das gerações antigas, ah, e ainda fala sobre o
pós guerra. Sempre tem um pós guerra no negócio. É tipo aquele cara que entende
muito de vinho e acaba sempre bebendo sozinho. Abaixo um diálogo fictício
entre um Zé Wilker e uma pessoa qualquer:
Pessoa Normal:
- Cara, comédia boa é Se Beber Não Case.
Zé Wilker
- Discordo. A comédia para mim nasceu e morreu com Chaplin.
O resto é tudo
Casseta e Planeta.
Pessoa Normal:
- Porra, então um thriller animal, Cisne Negro.
Zé Wilker
- Psicose, o original, no máximo. Ainda que a atuação esteja
um pouco crua. (os Zé Wilker adoram usar palavras assim pra descrever as
coisas)
Pessoa Normal
- Ah, cara, então um suspense bom aí pra ti que gosta dos
clássicos, Sexto Sentido.
Zé Wilker
- Acho que vc é realmente um neófito, pois esse filme a que
vc se refere faria Hitchcock revirar-se no túmulo.
Pessoa Normal
- Ah vai se fude, vai pro inferno. Vai no cinema sozinho,
seu psicopata.
É, acho que não vou assistir O Artista.
(Quem quiser ler uma crítica séria de um Zé Wilker pode clicar AQUI)
