segunda-feira, 16 de abril de 2012

The Mist

Nunca subestime Stephen King. Só pra isso já serve esse post.
Dias desses, eu e a namorada fomos ver tv em busca de um programinha bacana no Discovery ou do encantador de cães. Nada de bom nos primeiros canais, e eis que nos deparamos com O nevoeiro. Ela até pode mentir, mas eu recusei a proposta logo de cara - sim, só ela queria ver o filme.
O Nevoeiro é uma obra de 2007, de Frank Darabont, baseado em um conto do mestre King. Conta a história de uma cidade nos EUA atingida por um nevoeiro que devora as pessoas. Quase todo filme se passa em um supermercado, onde grande parte dos habitantes se encontrava no momento do fenômeno.
A ideia de um monstro cheio de tentáculos comendo gente é boba, certo? A babaquice para por aí. O que acontece no estabelecimento reflete perfeitamente eu, tu, nós. Todo pânico instaurado em virtude do evento transtorna o way of life, levando certos ao fanatismo e ao que está coladinho nele, a mais perversa loucura.
A atuação de Thomas Jane é surpreendentemente boa, e a de Marcia Gay Harden, de Sobre meninos e lobos, excelente. Ah, e o final é diferente do final do conto - outro ponto pra Darabont, que soube não estragar Stephen King, e, além disso, fechar com chave de ouro.


sábado, 17 de março de 2012

Darbareye Elly

Muito em voga hoje está o cinema iraniano, após A separação, de Asghar Farhadi, vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro. Fui buscar em outra obra do mesmo diretor a qualidade da cinematografia do Irã.
Procurando Elly é um filme de 2009 que se passa em uma cidade litorânea próxima a Teerã. O enredo tem como foco Elly, uma moça de meia idade que vai passar um fim-de-semana em uma casa de praia com casais de amigos. Na viagem, está também Ahmad, o outro solteiro do grupo, iraniano que voltou ao país de origem após um tempo na Alemanha.
Desde o início, já é um filme interessante, mostrando o que particularmente eu não conhecia dos iranianos: casais de amigos passando dois dias na praia - comendo, bebendo, fumando narguilé, etc. Nada muito diferente do que acontece no Brasil (claro que com suas particularidades culturais), até quando aborda o sexismo - homens na varanda, mulheres na cozinha.
O clímax inicia quando Elly subitamente desaparece na praia. Daí adiante, uma confusão, envolvendo o pavor do acontecimento, atrelado a discussões carregadas pela própria cultura muçulmana, começa.
É um excelente filme, que vale a pena ser visto - ganhou um 8 no imdb. Não só desfaz preconceitos, como indiretamente abre os olhos para a questão do sexismo ocidental.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O Artista


Acho que não vou assistir esse filme, mesmo que seja o nome do Oscar de 2012.
Estou imaginando um cenário: e se eu gosto desse filme? Vou começa a falar pros outros que um filme preto e branco, mudo e francês realmente mereceu ganhar. É o primeiro passo para se tornar um Zé Wilker, o símbolo do crítico insuportável. Nada contra ele, até realmente parece ser gente boa, mas vamos usar aqui o seu nome para essa figura: o chato oficial. Não será mais possível discutir nada sobre cinema com essa pessoa. É o cara que não aprova nada que foi feito recentemente, e quando surge algo bom, ele desaprova a fotografia, a montagem, a atuação dos personagens mais coadjuvantes que o próprio coadjuvante. As referências dele não estão nem na lista dos 250 no imdb, que provavelmente vai dizer que são influenciados pela opinião da massa. Chato, pretensioso, se acha. É aquele cara que vê coisas no filme que ninguem jamais enxergaria. Por exemplo, assiste Beleza Americana e critica a nova geração em sua negação das gerações antigas, ah, e ainda fala sobre o pós guerra. Sempre tem um pós guerra no negócio. É tipo aquele cara que entende muito de vinho e acaba sempre bebendo sozinho. Abaixo um diálogo fictício entre um Zé Wilker e uma pessoa qualquer:

Pessoa Normal:
- Cara, comédia boa é Se Beber Não Case.
Zé Wilker
- Discordo. A comédia para mim nasceu e morreu com Chaplin. O resto é tudo
Casseta e Planeta.
Pessoa Normal:
- Porra, então um thriller animal, Cisne Negro.
Zé Wilker
- Psicose, o original, no máximo. Ainda que a atuação esteja um pouco crua. (os Zé Wilker adoram usar palavras assim pra descrever as coisas)
Pessoa Normal
- Ah, cara, então um suspense bom aí pra ti que gosta dos clássicos, Sexto Sentido.
Zé Wilker
- Acho que vc é realmente um neófito, pois esse filme a que vc se refere faria Hitchcock revirar-se no túmulo.

Pessoa Normal
- Ah vai se fude, vai pro inferno. Vai no cinema sozinho, seu psicopata.


É, acho que não vou assistir O Artista.


(Quem quiser ler uma crítica séria de um Zé Wilker pode clicar AQUI)